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Extinção é a maior desde dinossauros

CB, Mundo, p. 24
21 de mar de 2006

Extinção é a maior desde dinossauros

O homem já provocou a maior série de extinções desde a época dos dinossauros. O alerta foi dado ontem pelo relatório Perspectivas Globais sobre Biodiversidade 2, de 92 páginas, divulgado na abertura de uma cúpula promovida pela Organização das Nações Unidas ONU) em Curitiba (Paraná). O evento contou com a participação de 2 mil delegados. De acordo com o texto, o ser humano terá grandes dificuldades para diminuir o ritmo das extinções até 2010. Há três anos, 110 países firmaram um acordo que prevê a implementação de 15 metas para deter a destruição da natureza. Apenas um dos objetivos tem sido cumprido: a área da superfície mundial protegida para a vida selvagem.

Em entrevista ao Correio, o argelino Ahmed Djoghlaf, secretário executivo da Convenção sobre a Diversidade Biológica - uma espécie de líder das questões ambientais - reconheceu: "Os desafios são enormes". O dossiê mobilizou 1.395 especialistas de 95 países, incluindo o Brasil, para a realização de um diagnóstico de todos os ecossistemas. "A coleta de dados demorou quatro anos e as conclusões são preocupantes. Estamos perdendo a biodiversidade numa rapidez sem precedentes", sustentou.

"Somos os responsáveis pelo sexto maior evento de extinção da história da Terra, e o maior desde o desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos", afirmou o texto. O documento revela que 844 espécies de animais e plantas foram extintas nos últimos 500 anos. A perda líquida de florestas por ano foi de 7,33 milhões de hectares- uma área do tamanho do Panamá ou da Irlanda - entre 2000 e 2005. O ritmo das extinções está mil vezes maior que as taxas históricas. "O desmatamento também continua com índices bastante alarmantes: cerca de 6 milhões de hectares de florestas foram arrasados", alertou Djoghlaf. Em relação ao Brasil, ele afirmou que 27% das matas nacionais estavam sendo devastadas antes do atual governo. "As autoridades conseguiram reverter essa situação e já atingiu 20% de reflorestamento."

Durante o encontro, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, criticou a falta de empenho de alguns países. "Fico preocupada com acordos multilaterais que não se traduzem em ações concretas", desabafou. "Para reverter este processo (extinção), que é basicamente resultado da atividade humana, é preciso um esforço sem precedentes, com uma resposta forte e determinada da sociedade", acrescentou a ministra. A União Mundial para a Natureza (UICN) também publicou ontem uma lista de animais ameaçados de desaparecimento. No Brasil, a onça-pintada, a anta e o jacaré estão entre as espécies relacionadas. Djoghlaf não poupou elogios ao presidente Lula na preservação ambiental, a quem chamou de "exemplo para outros
chefes de Estado".

CB, Mundo, 21/03/2006, p. 24

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