GM, Energia, p. A7
11 de Ago de 2004
Experiências com fontes alternativas encontram espaço na Amazônia
A energia alternativa e a geração descentralizada são opções viáveis para atender entre 8 mil a 12 mil comunidades que permanecem hoje sem acesso à energia elétrica na Amazônia, e que dificilmente poderão ser atendidas pelas linhas de transmissão da energia produzida pelas grandes hidrelétricas. Esse foi um dos aspectos discutidos nos últimos dois dias em Belém, durante o seminário sobre o uso produtivo de energias renováveis na Amazônia.
"A questão ambiental e as grandes distâncias na região abrem espaço para um melhor aproveitamento das experiências com energia renovável", diz Fábio Rosa, da Rede Nacional de Organizações da Sociedade Civil para as Energias Renováveis (Renove), que promoveu o evento, junto com o Programa Energia Produtiva e com apoio da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep).
Marcelo Zonta Melani, do programa Luz para Todos, do Ministério de Minas e Energia, disse que eventos desse tipo são importantes para começar a estabelecer uma relação das organizações não-governamentais com o governo para fortalecer essas tecnologias alternativas de geração de energia junto ao programa que pretende levar a energia a todas as comunidades brasileiras até 2008. Estima-se que em torno de 5% dos cerca de 12 milhões de brasileiros que hoje não têm acesso à energia elétrica poderão ser atendidos por fontes renováveis.
Além do seminário, haverá também esta semana em Belém a assembléia da Renove, com a eleição de sua nova diretoria e discussão sobre a atuação da rede na promoção de políticas favoráveis ao uso de energias renováveis e atendimento a pequenas comunidades. E também a III Reunião do Consórcio do Programa Energia Produtiva, voltada para os integrantes do consórcio e convidados, com a discussão do tema "Substituição de Combustíveis Fósseis na Região Amazônica".
Ontem foram apresentadas experiências sobre o uso de energia alternativa para a promoção do desenvolvimento local, a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida. Uma dessas experiências foi apresentada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que atua nas reservas Mamirauá e Aruanã, no estado do Amazonas, onde vivem em torno de 10 mil pessoas em 90 comunidades. A experiência que está sendo realizada ali é com a energia solar fotovoltaica. Edila Moura, professora da Universidade Federal do Pará e que atua no Instituto Mamirauá, disse que são muitas as vantagens de manutenção desse sistema para as comunidades do interior. Mas ressaltou ser preciso investir para tornar a tecnologia acessível, já que os equipamentos são importados e o custo de instalação é elevado.
O fornecimento de energia para comunidades isoladas também é tema de outro encontro que começou ontem à noite em Belém, o III Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, que vai até sexta-feira. Será mostrada durante o evento uma iniciativa do departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA) que, até o final do ano, vai tirar três comunidades da Ilha de Marajó da escuridão. Trata-se de um sistema a vapor, que funciona a partir da queima de biomassas como caroços de buriti e serragem.
kicker: UFPA pesquisa sistema de geração a vapor que funciona a partir da queima de biomassas
GM, 11/08/2004, Energia, p. A7
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.