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Expansao do mercado fara Petrobras reverter prejuizos na Bolivia

GM, Energia, p.A8
10 de mar de 2005

Expansão do mercado fará Petrobras reverter prejuízos na Bolívia
A crescente demanda pelo gás natural no mercado brasileiro abre para a Petrobras a possibilidade de reverter os prejuízos gerados pelo contrato para a compra do produto da Bolívia. A estatal perdeu dinheiro no Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) que construiu a partir da Bolívia em 2001, pois firmou acordo para a compra de 24 milhões de metros cúbicos de gás por dia, e só consegue vender um volume quase 20% menor, disse Ildo Sauer, diretor da divisão de gás e energia elétrica da empresa.
A Petrobras será capaz de vender a totalidade do volume estabelecido no contrato à medida que cresce a demanda por parte de fábricas, cidades, veículos e centrais geradoras de energia elétrica, disse Sauer. ``Registramos enormes prejuízos no passado por faturar menos do que o que havíamos pago", afirmou ele em entrevista concedida anteontem em Brasília no interior de um ônibus movido a gás que a estatal está promovendo para o setor de transporte público. ``Com o crescimento da demanda no mercado interno, os investimentos na Bolívia começarão a dar retorno".
A volta à lucratividade ocorre após a Petrobras ter passado os últimos dois anos tentando negociar preços menores e compras com a Bolívia. Sauer disse que o caos político da Bolívia não representa nenhuma ameaça ao contrato de fornecimento de gás da empresa.
Fornecimento garantido
Ontem, em La Paz, o presidente da Bolívia, Carlos Mesa, garantiu que a aprovação da polêmica lei dos combustíveis, apesar do descontentamento da oposição, dará impulso a um verdadeiro avanço econômico nos próximos três anos. "A lei dos combustíveis, em discussão no Congresso, libera um conjunto de investimentos e exportação do gás boliviano que nos próximos três anos mudará o horizonte econômico do país".
Quanto ao fornecimento de gás para o Brasil e a Argentina, principais mercados energéticos para a Bolívia, durante a crise política de 48 horas decorrente de seu pedido de renúncia ao cargo, Mesa disse: "Em momento algum houve dúvida sobre o fornecimento e o cumprimento dessas obrigações".
A Câmara dos Deputados discute há cinco meses um projeto de lei do corte nacionalista proposto por sua comissão de Desenvolvimento Econômico, após desconsiderar outro redigido pelo Poder Executivo. Mas, após o acordo político alcançado na terça-feira, que também ratificou Mesa na Presidência, o texto poderá ser atualizado.

GM, 10/03/2005, p. A8

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