JB, Pais, p.A6
14 de Jul de 2004
Exército vai participar de ações ambientais
Força se unirá ao Ibama e à PF para combater desmatamento
Hugo Marques
BRASÍLIA - O Exército começa nos próximos dias a integrar as operações de combate ao desmatamento, grilagem de terras e fiscalização dos recursos ambientais na Amazônia, em conjunto com o Ibama e a Polícia Federal. O Ministério da Defesa assinou ontem um convênio com o Ministério do Meio Ambiente, pelo qual o Exército vai mobilizar mais de 100 homens do Batalhão de Infantaria de Selva e também disponibilizar 18 helicópteros para ajudar a reduzir a devastação ambiental na Amazônia.
O Ministério do Meio Ambiente vai repassar R$ 10 milhões para o Exército integrar as equipes, ainda este ano. O que levou o governo a mobilizar as Forças Armadas para estas operações foi o crescimento da devastação na região. A área desmatada aumentou 2% no ano passado, em comparação com o ano anterior. No ano passado, foram desmatados 23.700 quilômetros quadrados, o correspondente a metade da área do Estado do Rio de Janeiro. Em abril, quando foi divulgado este balanço, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, prometeu intensificar as ações, e o chefe da Casa Civil, José Dirceu, prometeu buscar apoio dos militares.
Marina destacou ontem que os helicópteros do Exército aumentam a autonomia dos vôos na Amazônia, o que dá maior alcance às operações em regiões remotas. Alguns helicópteros podem carregar até oito pessoas. Ao trocar a logística militar por transporte aéreo alugado de empresas privadas, o ministério vai economizar 30%, afirmou a ministra. Marina destacou o respeito do Exército na Amazônia.
- A participação do Exército terá um impacto altamente positivo. Um importante papel de dissuasão dos contraventores - previu Marina.
O ministro da Defesa, José Viegas Filho, admitiu que o alto índice de devastação da floresta vinha causando ''inquietação'' no exterior quanto à capacidade do Brasil em solucionar o problema.
- O apoio que o Exército prestará a essa campanha de desmatamento aumentará a confiabilidade no governo brasileiro na execução dessas tarefas - afirmou Viegas.
O ministro confirmou que o Exército vai atuar no combate à grilagem de terras e à devastação da floresta, além de apreensão de madeiras. A portaria interministerial assinada por Marina e Viegas prevê ainda transporte de agentes públicos e garantia de segurança. Marina Silva afirmou que mais de 100 homens do Exército vão ajudar a garantir a execução das ações.
Grande parte do desmatamento na Amazônia é resultado da expansão da fronteira agrícola. A devastação maior ocorre em Mato Grosso, governado pelo agricultor Blairo Maggi (PPS). O Estado, sozinho, foi responsável pela devastação de 10.416 quilômetros quadrados no ano passado, quase a metade da área desmatada no país.
O Exército vai incorporar a seu acervo os bens adquiridos para a execução das operações de desmatamento. Esta é uma alternativa das Forças Armadas para reduzir o sucateamento do equipamento. Viegas rebateu declarações do ministro do Planejamento, Guido Mantega, sobre eventual adiamento do reajuste dos militares. O ministro da Defesa afirmou que ''esse assunto não se resolve na imprensa''. Viegas, no entanto, preferiu não demonstrar em público eventual irritação com Mantega.
- Nada irrita os militares. Nada irrita o Ministério da Defesa. Nós somos os profissionais da calma e da moderação - contemporizou Viegas.
JB, 14/07/2004, p. A6
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.