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27 de Jul de 2008
A Funai foi à Juína para tentar explicar aos índios o que queria a EPE, para que eles decidissem se iriam ou não autorizar a entrada de técnicos em suas áreas. Aluísio Azanha, representante da Coordenação de Assuntos Fundiários da Funai, esclareceu que, para o governo federal, a conclusão dos inventários é tratada como uma questão de soberania nacional. Por isso, em reunião com a Casa Civil, foi levantada a possibilidade de chamar o Exército para realizar os estudos dentro das terras indígenas, se for preciso. "O Exército também tem gente que pode fazer os estudos. Eles não vão chegar com tanque. Vão conversar, mas não vão pedir autorização. A gente não sabe o quanto isso é verdade, mas se tomarem essa decisão, vão desrespeitar vocês", disse Azanha, informando aos índios que a entrada ou não dos técnicos não evitará a conclusão do inventário.
A EPE explicou que para concluir os sete inventários de bacia em curso precisa entrar em 23 terras indígenas. E, no caso do Juruena e do Aripuanã, a não emissão das autorizações para ingresso e trânsito nas áreas protegidas poderá causar atrasos a esses inventários. "Os serviços de apoio a restituição aerofotogramétrica, o levantamento planialtimétrico do perfil do rio e os levantamentos topobatimétricos, hidrométricos e geológico-geotécnicos nos locais dos aproveitamentos deverão ser realizados, impreterivelmente, neste período de estiagem e concluídos até o final de setembro/2008", esclareceu a estatal em nota. Não ficou claro, no entanto, se mesmo com atrasos será preciso entrar nas terras indígenas de qualquer modo.
O Centro de Comunicação Social do Exército confirmou à reportagem de O Eco que enviou representante para uma reunião com o governo no sentido de verificar a possibilidade de participação militar "na esfera técnica de serviço geográfico, em estudos de levantamento georreferenciado de bacias hidrográficas (...) em colaboração com o Ministério de Minas e Energia". E informou que é "sem fundamento" a hipótese do uso de "força do Exército" para ingressar nas terras indígenas.
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