O Liberal-Belém-PA
03 de Nov de 2004
Tropas do Exército habituadas em combate na selva e em espaço terrestre, num total estimado entre 500 e 600 homens, estão saindo para impedir invasores na Amazônia desde ontem. Considerados estratégicos, 20 municípios do Pará, situados na parte setentrional (norte), começaram a ter cobertura militar oriundas de Belém, do sul do Estado, de Manaus, Recife, de Garanhuns (interior pernambucano), de Goiânia e de Natal, capital potiguar. A missão, simulada, integra a "Operação Ajuricaba III", que começou no feriado de ontem e segue até o dia 15 deste mês. O objetivo é atualizar planejamentos operacionais na região para preservar a soberania nacional.
No treinamento - uma programação coordenada pelo Comando Militar da Amazônia e oitavas região e divisão do Exército com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha - não haverá simulações de corpo-a-corpo e grupal, o que deverá ocorrer somente no próximo ano nas mesmas áreas. Na pesquisa nos locais e a partir das condições geográficas e nativas, os militares avaliarão que tipos de especialistas, de armamento e de estratégia, poderão ser utilizados como sistema de defesa.
A terceira edição da Operação Ajuricaba - uma homenagem a um chefe da tribo Manaés, que resistiu à tentativa portuguesa de escravizar a população indígena na Amazônia no século 18 - será uma prova de capacitação e resistência em condições de guerra. São treinadas várias situações adversas para a eventualidade de combates reais em caso de invasão. Numa delas, grupos de sete a nove homens estarão espalhados na floresta simulando deslocamentos "invisíveis" na mata e contra-ataques eficazes, como os desferidos pelos vietcongues contra os soldados norte-americanos na Guerra do Vietnã (1964-1975), que levou os ianques à primeira derrota militar em 200 anos de História.
Como forma para impedir entradas indesejadas, uma patrulha do Exército já percorre 100 quilômetros com 35 quilos às costas na região de Tiriós, atingindo pontos de difícil acesso como a "Cabeça do Cachorro", ao Norte do Estado, quase no Suriname. Com itens adicionais como cantil, faca, terçado e coturno, o peso passa fácil dos 40 quilos, fora o do corpo. Na operação, outros militares estudarão resistência e combate na proteção ao espaço urbano e até mesmo insular. No ano passado, mais de quatro mil homens simularam confronto em terra e inclusive com a utilização de helicóptero.
O tenente Aurecílio Guedes, da 5ª Seção Militar, divulgou nota oficial dizendo que a execução da operação Ajuricaba III "permitirá a avaliação de procedimentos operacionais em áreas urbanas e rurais, controle de deslocamento terrestre, comando e controle, inteligência, assuntos civis, apoio logístico e comunicações necessários para emprego da força terrestre na região". Entre os dias 5 e 7 deste mês, o Exército promoverá o curso "Estágio Básico de Correspondente de Guerra e Adaptação à Selva", destinado a aproximadamente 30 jornalistas de várias partes do País que desejarão participar da versão três da Ajuricaba. Até ontem, havia somente oito vagas disponíveis.
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