OESP, Economia, p. B11
24 de Jan de 2007
Excesso de regras preocupa mais que o terror
Essa foi a constatação da PricewaterhouseCoopers, numa pesquisa com empresários de todo o mundo
Rolf Kuntz
Os empresários temem mais o excesso de regulamentação do que o terrorismo, informa uma pesquisa divulgada ontem pela PricewaterhouseCoopers. A pesquisa também mostra que os executivos de todo o mundo continuam apostando nos emergentes para a expansão dos negócios. Além de Brasil, Rússia, India e China, foram citados México, Indonésia, Vietnã, Coréia e Turquia.
O otimismo vai além dessa avaliação. Dos consultados, 92% se disseram confiantes no crescimento da receita nos próximos 12 meses. Os muito confiantes foram 52%, o dobro do constatado no levantamento de cinco anos atrás.
Os mais entusiasmados são os chefes de companhias com receita acima US$ 10 bilhões. Mas dirigentes de empresas pequenas e médias também dizem acreditar em boas perspectivas de expansão. Apesar do entusiasmo, a maioria se mostrou conservadora quanto ao financiamento da expansão, com 79% indicando preferência por recursos próprios.
Os consultados puderam indicar mais de uma solução. Apenas 28% mencionaram a tomada de empréstimos - embora os juros, na maior parte do mundo, sejam muito mais baixos que no Brasil - e 18% citaram o mercado de ações.
Para 57% dos consultados, a expansão dos negócios será proporcionada pelo ingresso em novos mercados, por fusões e aquisições e pela inovação de produtos e técnicas. O melhor aproveitamento de mercados conhecidos com produtos já disponíveis foi citada por 23%.
O possível esfriamento das principais economias aparece apenas em quinto lugar entre as preocupações. A mais importante, citada por 73% dos entrevistados, é quanto ao excesso de regulamentação. No ano anterior, esse item apareceu em 64% das respostas.
A disponibilidade de competências-chave aparece em segundo lugar, em 73% das declarações. A terceira maior fonte de temor é a competição dos produtores de baixo custo. Em seguida, aparecem os preços da energia e dos produtos básicos.
CLIMA
Os executivos parecem pouco preocupados com o terrorismo e outros riscos políticos e ambientais. O terrorismo ficou em 11o lugar, com 50% de executivos 'um tanto preocupados' e 'extremamente preocupados'. Só 40% revelaram preocupação com o aquecimento global e mudanças climáticas (16o lugar).
Sobre o clima, há uma ampla divergência entre executivos de regiões diferentes. Na Ásia-Pacífico, o assunto foi mencionado por 58% dos consultados. Na América do Norte, por apenas 18%. Curiosamente, na Ásia-Pacífico 80% apontaram a competição de baixo custo como um fator de risco para seus negócios, embora a região seja a maior fonte de produtos com essa característica.
Outro dado curioso é que, embora os executivos tenham, em geral, defendido a globalização e a integração dos mercados, a maioria apontou países vizinhos, em geral emergentes, como melhor lugar para investir.
OESP, 24/01/2007, Economia, p. B11
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