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Ex-coordenador da Funai em Campo Grande diz que foi derrubado por manobra política

Midiamax News - www.midiamax.com
Autor: Celso Bejarano Jr
24 de Nov de 2008

O ex-administrador da Funai em Mato Grosso do Sul, Claudionor do Carmo Miranda, exonerado na sexta-feira passada (21), disse que seu afastamento tem a ver com uma manobra política conduzida por pessoas interessadas em fragilizar a instituição indígena.

Ele, no entanto, não detalhou o que motivara o suposto esquema nem apontou o nome de alguém intencionado em prejudicar a Funai.

Disse que fala isso na quarta-feira (26) após concluir um relatório que narra sua defesa.

Aqui em Mato Grosso do Sul um plano em curso prevê a demarcação de terras indígenas que alcança ao menos 26 municípios. Os produtores, apoiados por políticos, repudiam à idéia.

A saída

Miranda, era vereador em Anastácio até assumir o posto, foi exonerado por determinação do comando nacional da instituição.

A exoneração dele ganhou força a partir da investigação conduzida pelo CGU (Controladoria-Geral da União), órgão que o acusa de uma série de irregularidades.

Pelas contas da CGU, o ex-administrador consumiu cerca de R$ 250 mil sem obedecer à regra que impõe a prática licitatória.

Licitação é procedimento administrativo para as compras ou serviços contratados pelos governos, seja federal, estadual ou municipal. Exige-se, no caso, tomada de preços na hora de compra ou ainda que se promova uma concorrência onde o vencedor é aquele que mostrar um orçamento com valor menor.

Suspeitas

Na apuração da controladoria, a Funai regional pagou R$ 120 mil a empresas de turismo, a Premier uma delas, sem justificar o gasto.

Noutra ponta da apuração, a CGU sustenta que a instituição gastou quase R$ 50 mil com contas telefônicas. Sem licitação.

As supostas falhas administrativas praticadas por Santos não param por aí: a CGU suspeita de compra de vale-transporte, compra de combustíveis e até da criação de um projeto cultural que custou perto de R$ 75 mil.

O projeto, Índio Brasil 2008, teria sido produzido pela MCL, também sem licitação. A CGU informou ao MidiaMax que a investigação conduzida pelo órgão se limita ao plano administrativo.

No entanto, se provado gravidade, o caso é encaminhado a Polícia Federal, que investiga a suspeita.

A assessoria da CGU não soube informar sobre a condução do processo que provocou a exoneração do ex-administrador regional da Funai. Ficou de retornar ligação, mas até por volta das 18 horas, isso não tinha ocorrido.

Na manhã desta segunda-feira, a Funai nomeou uma diretoria provisória que vai comandar o escritório regional da instituição. Já na primeira reunião, líderes indígenas de Sirolândia invadiram a sala e protestaram como morosidade nos projetos que interessam a eles, um deles a demarcação de terras.

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