VOLTAR

Europa acusa EUA de dumping com biodiesel brasileiro

OESP, Economia, p. B5
24 de Fev de 2009

Europa acusa EUA de dumping com biodiesel brasileiro
União Europeia vai elevar tarifas de importação para frear entrada do produto americano, o que deve afetar o Brasil

Jamil Chade

O protecionismo ganha força no comércio de biocombustíveis. A União Europeia (UE) adotará novas tarifas de importação para frear a entrada de biodiesel dos Estados Unidos, acusados de distorcer o mercado. A medida, porém, pode afetar Brasil e Argentina.

Bruxelas alega que os americanos importam biocombustível sul-americano, mais barato, misturam com a sua produção, recolhem subsídios e revendem no mercado europeu com uma ampla margem de dumping (preço abaixo do custo).

Agora, a UE vai aplicar uma série de medidas antidumping para conter essa importação. Elas vão variar de 2 a 19 por 100 quilos de biodiesel importado. Além disso, uma sobretaxa de 23 a 26 a cada cem quilos será aplicada para compensar os subsídios recebidos pelos produtores nos EUA.

O pacote de medidas protecionistas será debatido oficialmente no dia 3 de março em Bruxelas. A previsão é de que as taxas comecem a entrar em vigor a partir de abril.

A queixa partiu dos próprios produtores de biodiesel da Europa, que alegam desde o ano passado que o produto americano, subsidiado, tem provocado a falência de várias usinas na Espanha, Alemanha e Leste Europeu. Ainda durante a presidência de George W. Bush, a Casa Branca rejeitou a acusação de que o país pratica dumping na exportação de biocombustível.

Mas a realidade é que, em apenas três anos, as exportações americanas saltaram de 7 mil toneladas para mais de 1,5 milhão em 2008. A acusação dos europeus é de que as empresas americanas importam biodiesel a preços baixos da Argentina e, em menor escala, do Brasil e adicionam apenas 5% de sua própria produção. Com isso, já estariam autorizados a coletar os subsídios do governo para a produção e exportação. O valor da ajuda estatal chegaria a US$ 1,00 por galão.

De acordo com os europeus, grande parte do biodiesel sai da Argentina, em direção aos Estados Unidos. Mas o Brasil também pode sofrer, já que uma expansão da exportação ao mercado americano nos próximos anos poderá ser freada. No Itamaraty, o sentimento é de que os europeus tem "certa razão" em impor as barreiras, já que os americanos estariam fazendo uso de praticas desleais.

Segundo uma investigação preliminar dos europeus, a importação de produtos americanos causou prejuízos para as empresas da UE. Entre 2005 e 2008, a margem de lucros das empresas de biocombustível caiu de 18% para menos de 6%. O retorno de investimentos recuou 80%. "A pressão criada pela importação no mercado europeu não permitiu que a indústria local estabelecesse seus preços de venda de acordo com as condições de mercado", afirmou a Comissão Europeia.

Pela proposta que será votada no dia 3 de março, a empresa Archer Daniels Midland (ADM) pagará uma sobretaxa de 26 por cada 100 quilos de biodiesel exportado. A Cargill pagará 27, enquanto a Imperium Renewables pagará 29 e a Green Earth Fuels, 28. Já a Peter Cremer North America pagará 41 por 100 quilos exportados.

''Usar álcool no carro é pecado''

A polêmica sobre o etanol se transformou em um caso religioso. Um líder religioso saudita alertou que o muçulmano que usar o etanol em seus carros estaria cometendo um pecado. O alerta é do xeque Mohamed Al-Najimi, membro do Instituto de Estudos de Jurisprudência Islâmica na Organização da Conferência Islâmica. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) já havia criticado o etanol por estar gerando uma alta nos preços dos alimentos em 2008.

Agora, a advertência foi divulgada nos últimos dias pela rede de TV Al Arabiya, de Dubai, e o público alvo é a população saudita vivendo no exterior, principalmente os jovens que acabam de adquirir seus primeiros carros em países onde o etanol já é uma realidade. Najimi, porém, garante que não estava lançando uma fatwa, equivalente a um pronunciamento legal para esclarecer uma realidade. Mas adverte que o assunto ''deve ser estudo religiosamente''.

Sua alegação é de que o etanol para carros é produzido da mesma forma que o álcool que se consome. Pela lei islâmica, esse consumo é proibido. Mas estudos feitos na Europa concluíram que foram químicos árabes quem trouxeram para o Velho Continente a técnica da destilação. A própria palavra álcool vem do árabe.

OESP, 24/02/2009, Economia, p. B5

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.