OESP, Vida, p. A15
08 de Jul de 2008
EUA sob pressão para cortar CO2
Sucesso de reunião do G-8 no Japão depende da adesão de nações ricas a metas de redução de emissões
Denise Chrispim Marin
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai enfrentar hoje a pressão da Europa e do Japão para que o G-8, o grupo das economias mais ricas e a Rússia, aceite a adoção de metas para a redução da emissão dos gases do efeito estufa até 2020, independentemente dos compromissos das principais economias emergentes da Ásia. Em sua chegada, no último domingo, Bush declarou-se disposto a assumir uma posição "construtiva", desde que a China e a Índia adotassem metas equivalentes.
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O sucesso da cúpula de Hokkaido dependerá, portanto, da resposta de um presidente em fim de mandato, cujo governo se vê desgastado, especialmente pela guerra no Iraque e pela crise econômica.
Ontem, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, fez um apelo aos líderes do G-8 para que assumam uma meta ambiciosa de redução de 50% das emissões até 2050 e também fixem um objetivo de médio prazo, que diplomaticamente deixou em aberto.
Na mesa de negociações, a União Européia pretende atrair os Estados Unidos a um compromisso semelhante ao que assumiu unilateralmente no início deste ano - o corte de 20% nas emissões de gases do efeito estufa da UE até 2020, em comparação com os níveis de 1990. Na ocasião, os países europeus deixaram claro que concordariam em elevar esse porcentual a 30%, se os EUA e outros países desenvolvidos também aderissem aos cortes.
COMPROMISSOS REAIS
"Se conseguirmos alcançar um compromisso de longo prazo para reduzir em 50% as emissões de gases até 2050 e também um princípio de acordo sobre a redução em médio prazo, poderemos falar de sucesso (desta cúpula do G-8)", afirmou Barroso. "Vamos trabalhar para alcançar compromissos reais nesta cúpula do G-8."
Em 2007, no encontro de Heiligendamm, na Alemanha, o G-8 limitou-se a prometer a conclusão de um estudo sobre as decisões de corte das emissões de gases em curso no Japão, no Canadá e nos países europeus.
Se Durão Barroso e os quatro líderes europeus que atuam no G-8 têm o desafio de não sair desta reunião de cúpula apenas com uma carta de intenções, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, tem uma missão ainda mais árdua. Sua administração apostou todas as fichas no sucesso da discussão da questão climática em Hokkaido e vai insistir para que seja fechada, pelo menos, uma posição intermediária entre as resistências da China e da Índia, de um lado, e dos EUA, do outro.
Os negociadores japoneses trabalham com a expectativa de convencer a China a aderir aos compromissos que deverão ser traçados até o final de 2009 - os mesmos que entrarão em vigor em 2012 e que substituirão os termos do Protocolo de Kyoto. Os EUA, em princípio, devem seguir o mesmo caminho, uma vez que não aderiram a esse protocolo.
Nos últimos anos, Tóquio adotou objetivos de redução da emissão de gases do efeito estufa e, com esta cúpula, ambiciona tornar-se uma espécie de modelo para o mundo.
MAIS ALERTAS
Em paralelo, organizações não-governamentais intensificaram seus alertas sobre os impactos da omissão dos maiores emissores de gases sobre o clima. No mês passado, pesquisadores do Centro de Dados Nacional sobre Neve e Gelo (NSIDC), dos EUA, haviam concluído que a calota de gelo do Pólo Norte poderia desaparecer no período de verão em um prazo de até dez anos, se não houvesse intervenção.
Outra instituição americana, o Centro de Pesquisas Atmosféricas, concluiu recentemente que esse processo poderá ser antecipado para 2013. Para a Gaia Initiative, uma ONG japonesa, poderá ocorrer a partir de 2010. Segundo Tomoyo Nonaka, presidente da organização, a temperatura no Pólo Norte e no Tibete tem aumentado 6 pontos a cada ano.
A ONG Oxfam, por sua vez, advertiu ontem que, a menos que os líderes do G8 concordem com uma ação imediata e com metas de médio prazo para a redução dos gases do efeito estufa até 2020, não haverá mais perspectivas de controle do problema no longo prazo.
OESP, 08/07/2008, Vida, p. A15
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