O Globo, Sociedade, p. 26
01 de Abr de 2015
EUA querem cortar 28% de suas emissões de poluentes até 2025
Meta foi apresentada à ONU e será negociada na Conferência do Clima no fim do ano
Renato Grandelle
RIO - O segundo país mais poluidor do mundo anunciou ontem o que está disposto a fazer para combater as mudanças climáticas. Os Estados Unidos enviaram uma carta de intenções à ONU, revelando seu desejo de reduzir suas emissões de gases-estufa entre 26% e 28% nos próximos dez anos. O documento confirma uma promessa divulgada em novembro pelo presidente Barack Obama na China, a nação mais poluente do planeta. O índice sugerido pela Casa Branca abre um novo capítulo nas negociações da Conferência do Clima, que será realizada em dezembro, em Paris.
A redução prevista para 2025 foi baseada nos valores emitidos pelo país em 2005, quando a poluição gerada nos EUA estava no pico. A Rússia também anunciou ontem sua meta. Quer diminuir suas emissões em até 30% até 2030, baseada nos índices de 1990, momento de desenvolvimento econômico e liberação recorde de carbono na atmosfera pelo país.
Considerando a situação peculiar desses anos-base, as metas exibidas para as próximas décadas parecem impressionantes e dão a impressão de que as nações estão realizando grandes esforços. Na realidade, os percentuais assumidos até agora não atenuariam suficientemente o aumento da temperatura global. Por isso, as ONGs Oxfam e WWF reivindicaram mais engajamento da Casa Branca.
- O ideal seria chegar a uma meta em torno de 30% a 33%, considerando algumas ações que poderiam ser feitas no exterior - defendeu André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. - Os EUA diminuíram o uso de combustíveis fósseis em prol do gás de xisto, mas ele também é danoso ao meio ambiente, já que exige perfurações do solo que liberam substâncias químicas nos rios.
A ONG Oxfam também divulgou uma nota com ressalvas ao anúncio da Casa Branca: "Embora esta contribuição nos deixe mais perto do caminho (para manter o aquecimento abaixo) de 2 graus Celsius, ela não representa o nível de ambição necessário para evitar catástrofes climáticas".
RESISTÊNCIA NO CONGRESSO
Na carta de intenções, os EUA prometem empregar novas medidas para uso de combustíveis, estimular a eficiência energética em edifícios e equipamentos e reduzir o emprego de poluentes climáticos conhecidos como hidrocarbonetos (HFC).
Vice-presidente do Centro para o Clima e Soluções de Energia (C2EZ), Elliot Diringer avaliou que Obama fez um anúncio exemplar.
- A meta americana é ambiciosa. Obama está provavelmente puxando ao máximo os limites do que pode ser feito com a legislação existente - elogiou, em entrevista ao GLOBO.
A proposta enviada pelo presidente americano à ONU irritou o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, o republicano Jim Inhofe.
- Os compromissos enviados pelo governo às Nações Unidas não verão a luz do dia - assegurou, em entrevista ao jornal britânico "Guardian".
Além dos EUA e da Rússia, México, Noruega e Suíça também já divulgaram suas metas para reduzir as emissões de carbono após 2020. Nos próximos meses, China, Índia e Indonésia, outros grandes poluidores da atmosfera, devem se pronunciar.
Segundo Carlos Klink, secretário de Mudanças do Clima e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil deverá divulgar suas propostas à ONU "em qualquer data antes do dia 1o de outubro".
- Temos uma política climática muito forte. O desmatamento caiu 82% nos últimos dez anos - destaca. - Agora, nosso foco é reduzir as emissões do setor energético e da agropecuária.
O Globo, 01/04/2015, Sociedade, p. 26
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/eua-querem-cortar-28…
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