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EUA oficializam à ONU compromisso com o corte de gases do efeito estufa

O Globo, Ciência, p. 32
29 de Jan de 2010

EUA oficializam à ONU compromisso com o corte de gases do efeito estufa
Porém, lei americana do clima continua emperrada no Senado

Os EUA comunicaram formalmente à ONU o compromisso com o Acordo de Copenhague, assinado no mês passado, que estabelece metas não-obrigatórias para a redução dos gases-estufa. Todd Stern, negociadorchefe do país para as questões climáticas, confirmou que os EUA terão como meta reduzir em 17% a sua emissão de dióxido de carbono e outros gases ligados ao aquecimento global. O percentual terá de ser atingido em 2020, e tem como base as emissões de 2005.

As metas finais de emissões só serão detalhadas depois de o Congresso americano aprovar a legislação ligada aos cortes de carbono. O destino do projeto, porém, permanece indefinido no Senado - o que valeu críticas aos EUA durante a Conferência do Clima em Copenhague.

Ontem, em seu discurso do Estado da União, o presidente Barack Obama não mencionou o projeto, o que foi interpretado por alguns cientistas políticos como um indício de que a mudança climática não seria uma de suas prioridades este ano.

Desafio é estabelecer preço para carbono
O senador John Kerry, um dos mais envolvidos com a redução nas emissões de carbono, negou que o projeto tenha sido atropelado por outras pautas.

- Não concordo com esta interpretação. As negociações estão avançando - garantiu. - Uma legislação abrangente deve estabelecer metas para a redução das emissões e atribuir preços ao carbono. Precisamos saber como definir este valor.

Além de Kerry, democrata, a republicana Lindsey Graham e o independente Joe Lieberman estudam que incentivos podem conceder às indústrias petrolífera e naval, entre outras, para aderir a programas de tecnologia limpa.

Enquanto o trio tenta avançar no Senado, o secretário de Tesouro, Timothy Geithner, afirmou que o próximo orçamento federal contará com mais US$ 5 bilhões para incentivo a indústrias que fabriquem produtos livres de emissões de carbono.

Além da economia, outro obstáculo dos ambientalistas é a própria população americana. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que só 28% dos entrevistados listam o aquecimento global como a prioridade a ser tratada este ano - em 2007, a questão preocupava a 38%.

O Globo, 29/01/2010, Ciência, p. 32

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