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EUA e China ratificam e fortalecem acordo do clima

O Globo, Opinião, p. 22
07 de Set de 2016

EUA e China ratificam e fortalecem acordo do clima

Costurado após anos de complexas e nem sempre pacíficas negociações, o Acordo de Paris sobre o clima, aprovado em dezembro de 2015 durante a COP-21, foi ratificado por Pequim e Washington no fim de semana passada, durante a reunião do G-20, em Hangzhou, na China. A confirmação do pacto pelas duas nações que mais lançam CO2 na atmosfera foi anunciada em conjunto pelos presidentes Barack Obama e Xi Jinping e representa um passo fundamental para que o acordo entre, finalmente, em vigor.
Os 195 países signatários se comprometeram a reduzir emissões de gases do efeito estufa, tendo em vista a meta global de manter o aquecimento da temperatura média do planeta abaixo de 2oC em relação aos níveis pré-industriais, conforme definido pela Convenção da ONU sobre Mudança do Clima. As nações presentes na COP-21 são responsáveis por 55% dos lançamentos globais na atmosfera. A ratificação de EUA e China é importante não só porque são os maiores emissores individuais, mas também porque é necessário que pelo menos 55 nações ratifiquem o acordo, para que ele entre efetivamente em vigor.
À exceção de alguns poucos políticos populistas e cientistas financiados por corporações interessadas, hoje em dia ninguém mais duvida que as mudanças climáticas abruptas que vivemos se devem à ação humana. As evidências se avolumam no dia a dia, muitas vezes na forma de catástrofes naturais com alto impacto sobre as populações atingidas. Até mesmo grupos empresariais que se mostravam mais resistentes há alguns anos, hoje buscam transformar em oportunidades de lucro a adoção de medidas de redução de emissões de CO2.
Esta semana, por exemplo, o jornal "The New York Times" publicou reportagem especial sobre o processo de alagamento e enchentes na em toda Costa Atlântica dos EUA. A matéria ouviu cientistas que, em resumo, afirmaram que a elevação do nível dos oceanos já não é uma mera teoria, mas um fato concreto. Ao longo de milhares de quilômetros os sinais são conspícuos: a única estrada para a Ilha Tybee, na Geórgia, fica submersa no mar em vários períodos do ano, cortando a ligação da cidade com o continente. Em Fort Lauderdale, na Flórida, o município gasta anualmente milhões de dólares para restaurar estradas e fazer drenagens devido ao avanço da maré.
No Brasil fenômenos parecidos vêm ocorrendo, como no Pontal de Atafona, no município fluminense de São João da Barra. A cada ano, o mar devora uma parte da região, já apelidada de "Praia do Apocalipse". Isto sem mencionar a mudança nas estações das chuvas, no ciclo de secas, no derretimento do Ártico, no fenômeno El Niño etc. Como bem observou Obama ao ratificar o acordo, a COP-21 foi o momento em que os líderes mundiais, enfim, decidiram se unir para salvar o planeta.

O Globo, 07/09/2016, Opinião, p. 22

http://oglobo.globo.com/opiniao/eua-china-ratificam-fortalecem-acordo-d…

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