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Autor: Cecília Nobre
10 de Mai de 2026
A FIT Pantanal 2026, marcada para ocorrer de 3 a 7 de junho no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, ampliará o debate sobre o etnoturismo, apontado como um dos novos focos estratégicos da feira neste ano, promovendo discussões com órgãos federais sobre regras, limites e potencial do turismo indígena em Mato Grosso e no Brasil.
Durante o lançamento oficial para a imprensa, realizado na noite de segunda-feira (04), no Sesc Arsenal, o coordenador-geral da FIT Pantanal, Jaime Okamura, destacou que o tema será tratado em nível nacional, com a participação de órgãos federais e instituições ligadas ao setor. "Outro foco grande que nós estamos dando na FIT Pantanal é o etnoturismo, o turismo indígena, que Mato Grosso, hoje, está, dando para o Brasil e pro mundo uma visão muito ampla. Então, todo mundo quer saber", afirmou.
Reprodução/Instagram
FIT Pantanal 2025
Segundo Okamura, a proposta é realizar um encontro híbrido - presencial e online - para discutir diretrizes e desafios da atividade. Devem participar representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A intenção é avançar na padronização e organização do setor. "Discutir também essa questão, o que pode, o que não pode, o que afeta, o que não afeta, o que as pessoas estão fazendo no Brasil com relação ao etnoturismo, e aí gente chegar a uma conclusão de montar um formato, uma metodologia só", explicou.
Okamura citou, como exemplo, a falta de uniformidade nos processos. "Para tirar a licença, para onde que vai? [...] Cada um tem uma palavra e uma linguagem. Precisamos padronizar", pontuou.
Cecília Nobre/Rdnews
Jaime Okamura, coordenador-geral da FIT Pantanal 2026
Além das discussões técnicas, o evento também deve abordar temas ligados à economia criativa, tecnologia e inovação. Ainda assim, Okamura ressaltou que o foco central do turismo continua sendo o fator humano. "Turismo se faz com gente. [...]. A gente pode ter [a tecnologia] como ajuda, para melhorar, mas não ser uma coisa primordial", disse.
Mapeamento em MT
Levantamento mais recente feito pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), apresentado em 2024, apontou que em Mato Grosso há 19 etnias - dentre 40 que foram mapeadas nos polos Araguaia, Cerrado, Amazônia e Pantanal - que praticam atividades turísticas em seus territórios. São os povos Apiaka, Aweti, Bakairi, Cinta-larga, Enawene Nawe, Haliti-Pareci, Ikpeng, Kalapalo, Kamayurá, Karajá, Kawaiwete, Kuikuro, Mebengokre, Nafukua, Paresi, Wuajá (Wauará), Kayabi, Xavante e Yawalapiti.
Assessoria
Conforme o mapeamento, dentre as principais atividades turísticas oferecidas nas aldeias estão a pesca esportiva, ecoturismo (trilhas, cachoeiras, lagos e rios), turismo cultural (imersão nas aldeias, participação de rituais, artesanato e gastronomia), etnoturismo (vivência completa dentro de um território indígena) e birdwatching (avistamento de aves).
Na ocasião, a burocracia para obtenção do Plano de Visitação junto à Fundação Nacional do Índio (Funai), exigido pela Instrução Normativa 03/2015 do órgão para liberação do etnoturismo nas aldeias, foi criticada pela Pasta. Isso porque, naquela ocasião, apenas sete aldeias - localizadas em Alta Floresta, Gaúcha do Norte, Querência, Matupá e Peixoto de Azevedo - contavam com rotas regulares.
Outras oito aldeias tinham rotas liberadas, mas sem renovação, enquanto seis delas aguardavam aprovação dos projetos por parte da Funai, sendo uma em Barra do Bugres, uma em Tangará da Serra, uma em Juara e quatro em Apiacás.
Divulgação
Aldeia indígena do Povo Balatipone-Umatina em Barra do Bugres
Feira cresce e amplia debates estratégicos
Etnoturismo é uma modalidade na qual os turistas têm a oportunidade de fazer uma imersão na vivência, tradições, patrimônio histórico e cultural de uma comunidade específica, especialmente as comunidades indígenas. A inserção dessa modalidade na programação reforça o posicionamento da FIT Pantanal como plataforma de negócios e debates estruturais do turismo em Mato Grosso.
Conforme já publicado pelo , a feira vem em expansão, com expectativa de ultrapassar 100 mil visitantes nesta edição, após registrar crescimento contínuo nos últimos anos.
Além do aumento de público, o evento também amplia sua programação técnica, com fóruns, palestras e seminários voltados a diferentes segmentos, como turismo rural, agricultura familiar e agora o turismo indígena.
A proposta, segundo a organização, é discutir não apenas a promoção dos destinos, mas também os gargalos estruturais e regulatórios que impactam o setor, conectando diferentes cadeias produtivas e fortalecendo o turismo como atividade econômica no estado.
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