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Etnias indígenas discutem impactos causados pela pavimentação da BR-317

O Rio Branco- Rio Banco-AC
24 de jun de 2002

A rodovia já existe há 30 anos, mas, sem asfalto. As obras de pavimentação na BR-317 (estrada que liga Rio Branco a Assis Brasil) causam impactos físicos e sociais às famílias indígenas que habitam as áreas alcançadas pela obra governamental.

As aldeias Manchineri e Jaminawá das terras indígenas "Mamoadate" e "Cabeceira do Alto Acre" são as principais etnias envolvidas na área que compreende a estrada. Os Machineris habitam às margens do rio Purus, nos municípios de Sena Madureira e Assis Brasil, contando com uma população de 459 pessoas. Os Jaminawas são a união de dois povos e totalizam cerca de 128 pessoas no município de Marechal Taumaturgo.

Para discutir essa questão o Instituto de Meio Ambiente do Acre(IMAC) criou uma pré-audiência durante o dia de ontem (terça) no auditório do Ministério Público Estadual, envolvendo MPE, IMAC, FUNAI, UNIR, UFAC e SMAAC.

O secretário do Meio Ambiente do Acre, Edgard de Deus, disse que a exemplo do que acontece em relação à BR 364, onde também tem aldeias de etnias indígenas (Katukinas e Kaxinauás, por exemplo, que moram à altura do quilômetro 100 da BR-364 e totalizam mais de 4.000 pessoas) e está sendo conciliado progresso com preservação, na BR 317 também há possibilidades que isso aconteça.

O secretário falou sobre o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) e garante que existe uma preocupação do governo em minimizar os impactos negativos e potencializar os positivos.

Para o Administrador Regional da FUNAI, Antônio Pereira Neto, a expectativa do órgão é que o licenciamento ocorra favorável para os índios, que a pavimentação da estrada 317 seja um aceno de benefício. "É uma faca de dois gumes, Brasil e Peru estão fazendo estradas em áreas indígenas e esperamos que os impactos sociais não venham causar danos às sociedades da terra, ou seja, que levem progresso aos indígenas sem levá-los aos graves problemas sociais da vida urbana", disse Antônio Pereira Neto.

Conforme o administrador regional, a cultura indígena está acompanhando a cultura do branco e informou que os primeiros índios acreanos a ingressarem numa faculdade estão na Universidade Estadual do Mato Grosso estudando Pedagogia. A ideologia de vida indígena, segundo o administrador, está acompanhando a vida social tecnológica, mas os governos não devem esquecer que nem todos os grupos desse povo querem a mesma coisa para si.

A Funai é uma avaliadora, que acompanha tudo que acontece no universo indígena. "Se as coisas não acontecerem como o desejado pelas etnias, a Funai pode embargar", assegurou o administrador.
A União das Nações Indígenas (UNI) é uma organização não-governamental que acompanha e avalia todos os interesses indígenas. A entidade está acompanhando as reuniões que prosseguem amanhã durante o dia todo no auditório do MPE. A organização tem autonomia para denunciar qualquer ato que venha prejudicar a vida e a preservação dos índios no Acre.
O Ministério Público Estadual também está se informando de todas as discussões sobre os impactos na BR-317, e pode intervir, caso haja qualquer ato ou projeto que infrinja alguma lei.

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