OESP, Economia, p. B9
16 de Mai de 2008
Etanol domina cúpula em Lima
Regras de produção opõem europeus e latino-americanos
Leonencio Nossa
Enviado especial
Lima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trava a primeira quebra-de-braço importante com a União Européia na questão do etanol. Em encontro hoje, na 5ª. Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia, em Lima, chefes de Estado europeus vão pressionar os países produtores de biocombustíveis a aceitar regras duras de combate ao trabalho escravo e ao desmatamento. Os latino-americanos, liderados pelo governo brasileiro, não aceitam a proposta de um acordo bilateral, limitando o debate sobre exigências às empresas produtoras.
Pressionado por entidades ambientais, o Parlamento Europeu discute a fixação de um porcentual de 10% de biocombustível na gasolina até 2020, o que reduziria a emissão de gás carbônico. Também cobra dos países produtores metas de redução das queimadas provocadas especialmente pela cultura canavieira. É nesse setor que estão também, segundo especialistas de direitos humanos, as piores condições de trabalho na região rural da América Latina.
Na manhã de hoje, os chefes de Estado discutem o tema "Pobreza, Desigualdade e Inclusão". Depois do almoço, o trabalho é retomado como debate sobre "Desenvolvimento Sustentável: Meio Ambiente, Mudança do Clima e Energia". Na avaliação de diplomatas brasileiros, todos esses temas giram em torno da palavra "etanol".
O porta-voz do Palácio do Planalto, Marcelo Baumbach, destacou que a cúpula é um "forte" foro de diálogo político. "Da perspectiva brasileira, os avanços da integração sul-americana e a maior aproximação entre Mercosul e América Central. Caribe e México favorecerão a construção de uma parceria de resultados com a Europa comunitária", afirmou.
Ao mesmo tempo em que pretende prolongar o debate sobre regras para exportação de etanol, o Itamaraty espera que questões tradicionais da agenda da América do Sul não centralizem as discussões em Lima - em outras palavras "pendengas" políticas.
Anteontem, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reclamou que a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, chegou ao continente "atirando pedras". Ele se referia à declaração de Merkel de que os latino-americanos não deveriam estreitar laços com Caracas.
OESP, 16/05/2008, Economia, p. B9
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