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Etanol brasileiro é destaque como energia alternativa

OESP, Especial IDH 2007, p. H3
28 de Nov de 2007

Etanol brasileiro é destaque como energia alternativa
Produto custa a metade do americano e corta em 70% emissão de gás carbônico, diz relatório

Lisandra Paraguassu

O relatório do Desenvolvimento Humano 2007, que trata dos riscos do aquecimento global, defende o etanol brasileiro como uma das soluções em energias alternativas para cortar a emissão de gás carbônico na atmosfera e pede o corte de tarifas impostas por Estados Unidos e União Européia para a importação.

De acordo com o relatório, o etanol de cana-de-açúcar produzido pelo Brasil custa a metade do etanol de milho americano e corta em 70% as emissões de gás carbônico, enquanto o produto americano corta em apenas 13%. "Temos evidências muito claras de que a geração de gás carbônico para produzir o etanol de milho é equivalente à economia trazida pelo uso desse etanol no lugar do petróleo", afirmou Kevin Watkins, coordenador do relatório do IDH.

O relatório explica que o custo menor de produção do etanol brasileiro se deve a condições climáticas, disponibilidade de terra e melhor eficiência da cana, mas adverte que esse custo menor é desperdiçado pelos países ricos, que aplicam taxas de importação altamente restritivas em biocombustíveis. "Políticas comerciais aplicadas ao etanol são conflitantes com uma enorme gama de metas sobre aquecimento global. O etanol brasileiro fica em desvantagem mesmo sendo mais barato de produzir, emitindo menos carbono na sua produção e sendo um combustível mais limpo", diz o relatório. "O ponto central é que abolir as tarifas do etanol iria beneficiar o meio ambiente, diminuir os riscos do aquecimento global e ajudar países em desenvolvimento, como o Brasil, que tenham boas condições para produzi-lo."

O relatório inclui ainda texto de uma página do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do programa brasileiro de biocombustíveis. Lula refuta as alegações de que o crescimento do etanol brasileiro pode ser uma ameaça à Amazônia por conta do crescimento das lavouras de cana-de-açúcar e reclama dos subsídios dados por países desenvolvidos aos seus programas de biocombustíveis. "Os Estados Unidos e a Comunidade Européia estão aumentando programas de biocombustíveis fortemente subsidiados. Comparados com o programa brasileiro, todos eles perdem muito, tanto em termos de custos de produção quanto na eficiência em cortar emissões de carbono. Baixar as tarifas de importação ao etanol brasileiro iria baixar os custos do abatimento de carbono e aumentar a eficiência econômica na produção de combustíveis alternativos", diz o texto do presidente.

OESP, 28/11/2007, Especial IDH 2007, p. H3

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