O Globo, Economia, p. 48
26 de Out de 2008
Estudo sobre impacto ambiental de hidrelétricas vira alvo de polêmica
Para produtores, desmatamento seria só de 0,02%. Ambientalistas discordam
Gustavo Paul
A construção de hidrelétricas na Amazônia, consideradas fundamentais para garantir o abastecimento de energia no país na próxima década, não irá provocar grande desmatamento na região, como acusam e temem os ambientalistas. É o que defende um estudo encomendado pela Associação dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), para quem as quatro hidrelétricas em construção ou planejadas - Santo Antônio, Jirau, Belo Monte e Santa Isabel - irão comprometer apenas 0,02% da cobertura vegetal, inclusive a área alagada dos reservatórios.
Esse percentual, diz o estudo, é bem inferior ao que foi desmatado nos últimos três anos em queimadas, para formação de pasto, plantações de soja e assentamentos - eles consumiram 0,42% do território amazônico desde 2006.
Especialistas em meio ambiente, no entanto, argumentam que o impacto ambiental de uma obra desse porte não pode ser resumido à área desmatada, mas precisa incluir todos os efeitos do empreendimento sobre o rio, a fauna e a flora. É o que diz a senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente:
- O impacto não se restringe à área afetada. É preciso estudar como se altera a dinâmica do rio, com movimentação de sedimentos e fauna e a temperatura da água. Esses estudos ainda são fundamentais.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admite que as hidrelétricas são ambientalmente melhores que as térmicas, mas ressalta que foi preciso mudar o modelo desses empreendimentos nos últimos anos, para reduzir o tamanho dos reservatórios. A utilização de turbinas modernas permite que a energia seja captada pela movimentação do rio e não por quedas d'água.
O Globo, 26/10/2008, Economia, p. 48
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.