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Estudo revela 14 novas espécies de peixes no Brasil

O Globo, Ciência e Vida, p. 40
06 de Set de 2006

Estudo revela 14 novas espécies de peixes no Brasil

Roberta Jansen

O maior levantamento já feito sobre os recursos marinhos do país revelou 14 espécies de peixes até agora completamente desconhecidas pelos cientistas. Os animais foram descritos pela primeira vez no relatório final do Programa de Avaliação do Potencial Sustentável dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva (Revizee), fruto de dez anos de estudo que envolveu 60 universidades e instituições de pesquisa.

O estudo listou ainda 55 novas espécies dos chamados animais bentônicos (que vivem junto ao fundo do mar), comprovando a riqueza da biodiversidade brasileira.

- Temos imensa biodiversidade - afirmou o diretor de fauna e recursos pesqueiros do Ibama, Rômulo Mello, que participou do estudo. - Ao todo, são cerca de três mil espécies de peixes, entre os marinhos e os de águas interiores.

A maioria das novas espécies de peixes descobertas vive em maiores profundidades.

Entre elas estão dois tubarões e duas arraias. Além dos peixes e dos animais bentônicos, o estudo registrou 130 espécies e gêneros de animais marinhos que nunca antes tinham sido avistados no Atlântico Sul.

Só para se ter uma idéia da importância da biodiversidade marinha, nos últimos 20 anos aproximadamente 6.500 novos produtos naturais foram desenvolvidos a partir de recursos do mar: 25% deles são derivados de algas e 33% de esponjas.

Mas, a despeito de tamanha diversidade de espécies, as águas brasileiras são pobres em nutrientes, o que limita o tamanho dos cardumes. Ao lado da pesca irregular e da degradação do meio ambiente litorâneo, essa característica contribui para que 80% dos recursos pesqueiros do país estejam sobrepescados, ou seja, pescados além da capacidade natural de reposição.

- Países com uma costa muito menor do que a nossa, como o Peru, por exemplo, têm uma produtividade dez vezes maior porque suas águas são mais ricas em nutrientes - disse o diretor da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf de Noronha, que também participou do estudo.

Quatro milhões de pessoas dependem da pesca Medidas simples, como o respeito ao período de defeso (reprodução) das espécies surtem efeito rapidamente para aumentar os cardumes. A sardinha, alvo de um desses programas, por exemplo, cuja produção caíra de 200 mil toneladas na década de 70 para menos de 20 mil em 2000, teve sua produção aumentada para 54 mil em 2004.

Além de medidas para combater as irregularidades na pesca - uma atividade que sustenta, direta ou indiretamente, quatro milhões de pessoas -, o relatório sugere ainda a captura e comercialização de espécies pouco exploradas atualmente, como o espadarte, a albacorinha e o aricó, entre outros.
- Muitas vezes essas espécies não são exploradas por falta de tecnologia apropriada,
por que alguns desses animais vivem muito longe da costa ou em grandes profundidades - explicou Noronha.

O Globo, 06/09/2006, Ciencia e Vida, p. 40

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