O Globo, Rio, p. 16
12 de Fev de 2015
Estudo prevê mais dez anos para despoluir Baía
Renan Almeida
RIO - Logo ao amanhecer, o instrutor de stand up paddle Paulo Oberlander desce sua rua em Piratininga, Niterói, com uma câmera numa mão e a prancha na outra para explorar o litoral. Como está bem próximo da entrada da Baía de Guanabara, muitas vezes rema mar adentro e fica inconformado com os registros que faz: lixo em profusão e diversas fontes de esgoto in natura escorrendo para a água. O cenário confirma a conclusão de um estudo feito por pesquisadores da Coppe/UFRJ: a de que, até as Olimpíadas de 2016, a Baía não será despoluída, ao contrário do compromisso assumido pelo Rio em sua candidatura. A pesquisa foi encomendada pelo próprio Comitê Olímpico Internacional (COI).
MAIS RELATÓRIOS SOBRE LEGADO
Já a meta de ter uma raia olímpica que não prejudique as competições de vela é viável. Ainda assim, com restrições, diz o coordenador do Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão (Sage)/Coppe, Rogério Valle, à frente do estudo, intitulado "Impactos dos Jogos Olímpicos" (OGI na sigla em inglês).
- Uma chuva forte na véspera da disputa seria um problema, porque arrastaria muito lixo dos rios para a Baía - explica Rogério. - O legado que teremos é o início do projeto de despoluição, para ser concluído daqui a dez anos. Reduzir em 80% a carga de esgoto despejado até 2016 é infactível.
A Coppe foi contratada pelo COI, através do Comitê Organizador Rio 2016, para produzir quatro relatórios sobre o legado das Olimpíadas. Os resultados da primeira fase de pesquisas foram apresentados num seminário realizado na terça-feira.
O estudo deu origem a um relatório inicial para o COI, com o objetivo de mostrar a situação hoje. Os dados mais atuais usados, no entanto, são de 2012. Já os três relatórios subsequentes - que serão apresentados em 2016, 2017 e 2019 - apresentarão dados atualizados sobre os impactos que os Jogos Olímpicos terão em termos de legado.
O biólogo Mario Moscatelli não se surpreendeu com a conclusão do estudo. Há mais de uma década estudando os rios que desembocam na Baía, ele afirma que o quadro é cada vez pior, apesar das obras de despoluição anunciadas desde 1994.
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- Sobrevoo toda a bacia uma vez por mês. E vejo que os rios estão cada vez mais contaminados. Gastou-se uma fábula de dinheiro, e nenhum dos problemas estruturais foi resolvido - diz Moscatelli.
A Secretaria estadual do Ambiente informou que vai reavaliar todo o programa de despoluição da Baía de Guanabara.
IMPASSE EM JACAREPAGUÁ
Já o programa de despoluição dos rios que desembocam na Lagoa de Jacarepaguá, próximo ao Parque Olímpico, sofreu um revés na terça-feira: o Ministério Público interrompeu as obras, por falta licenciamento ambiental. O secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, já entrou em contato com o MP para tentar a liberação do programa.
O Globo, 12/02/2015, Rio, p. 16
http://oglobo.globo.com/rio/pesquisadores-constatam-que-baia-de-guanaba…
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