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Estudo prevê mais calor e menos chuva até o fim do século

Valor Econômico, Brasil, p. A4
26 de Nov de 2014

Estudo prevê mais calor e menos chuva até o fim do século

Por Lorenna Rodrigues | De Brasília

A temperatura em algumas localidades brasileiras pode aumentar de 20 C a 80 C até o fim do século, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Além disso, haverá redução do período chuvoso na maior parte do país. É o que mostra trabalho sobre cenários climáticos, feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (Sae) e Ministério de Ciência e Tecnologia.
O estudo fez projeções com base em diferentes cenários de emissão de CO2 nos períodos 2011-2040, 2040-2070 e 2070-2100. "A temperatura só não vai subir se houver mudança tecnológica muito grande", alerta Chou Sin Chan, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Até 2040, a projeção é de aquecimento em todo o continente em todos os cenários considerados de emissão de CO2. O aquecimento máximo é na região Centro-Oeste, em todos os meses do ano. Entre 2071 e 2100, os picos de aquecimento se estendem para Nordeste, Norte e Sul. Até o fim do século, isso pode significar variação de 20 C a 80 C no pior cenário, que prevê dobrar as emissões do gás no período analisado.
Além disso, há uma maior variação de temperatura de um ano para outro, e as diferenças entre máximos e mínimos se amplificam, principalmente na região amazônica.
Em relação às chuvas, a projeção é de redução do período de precipitações na maior parte do país, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com o estudo, a redução é mais intensa até 2040, menos intensa entre 2040 e 2070 e se torna bastante intensa nos últimos 30 anos do século. A área de máxima redução se expande até a Amazônia até o fim do século.
No Nordeste, a projeção é de aumento das chuvas no verão e redução no inverno. No Sul, a previsão é de aumento de chuva em vários cenários, principalmente no verão e primavera e mais intenso nas últimas três décadas analisadas. "A produção de grãos e frutas, principalmente no Sul do país, poderá ser comprometida pelas altas temperaturas e chuvas intensas fora de época", afirma o estudo.
O estudo chama atenção para o fato de as mudanças afetarem áreas como produção de energia, agricultura e qualidade da água para as populações. "Os efeitos provocados, como a magnitude e a frequência de inundações e deslizamentos de terra, também poderão impactar tanto o fornecimento quanto os preços dos alimentos."
"Qualquer infraestrutura que a gente tenha hoje, seja em energia, transporte e outras áreas, precisa ser adaptada. Essas informações climáticas estarão disponíveis para quem planeja energia, por exemplo. O que importa é o que vai ser feito com os cenários dados", explica a diretora da Sae, Natalie Unterstell.

Valor Econômico, 26/11/2014, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/3793706/estudo-preve-mais-calor-e-menos-…

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