OESP, Vida, p. A24
27 de Ago de 2008
Estudo indica necessidade de proteger recifes de corais contra o aquecimento
Cristina Amorim
A atual rede de proteção de recifes de corais está cheia de buracos, advertem pesquisadores na revista PLoS One (www.plosone.org). Segundo estudo sobre os oceanos Índico e Pacífico, as zonas planejadas para conservar estoques de peixes não impedem que os corais entrem em colapso por causa de temperaturas mais altas. Muitas dessas zonas, onde a pesca é proibida, localizam-se em águas que têm sofrido aquecimento rápido. Assim, manter barcos longe não é a resposta definitiva para sustentar os delicados ecossistemas, afirma o principal autor do estudo, o biólogo marinho Nick Graham, da Universidade de Newcastle (Grã-Bretanha).
A pesquisa, a maior já feita nesse campo, abordou 66 recifes em 7 países. "A tendência é consistente para a região Indo-Pacífica", explica Graham ao Estado. "É difícil falar sobre os recifes do Caribe e do Atlântico Ocidental. Mas análises ainda não publicadas sugerem que as unidades de conservação marinhas caribenhas não têm mostrado grande capacidade de recuperação dos impactos do aquecimento."
O Oceano Índico Ocidental já perdeu cerca de 50% dos corais - em algumas áreas, 90%. É lá que ficam os recifes mais diversos do mundo. Outro motivo para a escolha da região como foco do estudo é o impacto sofrido por um aquecimento abrupto em 1998, devido ao El Niño, que devastou recifes. Recuperaram-se melhor os que estavam em águas menos quentes, não os protegidos.
Para Graham, o mapa de conservação precisa ser revisto, sem que as unidades existentes sejam abandonadas. "Precisamos focar nas zonas que se recuperam rapidamente. São elas que ajudarão a semear outras áreas."
Com Reuters
OESP, 27/08/2008, Vida, p. A24
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