O Globo, Rio, p. 20
06 de Fev de 2010
Estudo constata 646 desmatamentos no Maciço da Tijuca em 15 meses
Monitoramento revela ainda crescimento vertical em 102 áreas ocupadas
Isabela Bastos
Um estudo do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC, numa área de cerca de 3.500 hectares (35 milhões de metros quadrados) do Maciço da Tijuca, revelou que, em 15 meses (entre março de 2008 e junho de 2009), a floresta registrou 646 pontos de desmatamento. A retirada de vegetação, flagrada em fotos de satélite, soma 5,69 hectares (56.900 metros quadrados), o equivalente a 0,16% da área monitorada ou quase seis campos de futebol.
Os resultados do estudo ainda são preliminares, uma vez que o monitoramento ainda está na primeira fase, em que foi observada a parte do maciço voltada para as zonas Sul e Norte. Nessa área, foram monitorados trechos acima da chamada cota 100 (cem metros acima do nível do mar, onde, por lei, nada pode ser construído).
O estudo mostrou que, além de desmatamento, houve crescimento vertical de ocupações em 102 pontos do entorno do maciço, somando 1,15 hectares (11.500 metros quadrados). No caso do crescimento vertical, os técnicos ressalvam que a maior parte dos pontos não estava em área de floresta, mas em comunidades no entorno.
- Dentro dos limites legais do Parque Nacional da Tijuca, quase não houve desmatamento, salvo uma obra de guarita do próprio parque. O desmatamento horizontal foi registrado na área acima da cota 100 que ainda não é parque, mas faz parte do maciço - diz o geógrafo Rafael Nunes, que participa do monitoramento.
Resultado de uma parceria da universidade com a Secretaria estadual do Ambiente e financiado pelo Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), o monitoramento ainda será estendido ao restante da Floresta da Tijuca e ao Maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste, além dos complexos de Manguinhos e do Alemão.
Os 646 pontos de desmatamento se concentraram na vertente norte do Maciço da Tijuca, em Santa Teresa, Tijuca e Rio Comprido. O monitoramento não detalhou se os desmatamentos aconteceram por ocupações irregulares ou obras licenciadas. Um caso mostrado pelas fotos de satélite foi a retirada de árvores na Rocinha, em área de obras do PAC.
Os primeiros mapas foram entregues ontem ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Segundo ele, o desafio agora dos órgãos ambientais é averiguar os detalhes de cada desmatamento e cobrar providências.
O Globo, 06/02/2010, Rio, p. 20
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