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Estudo comprova que pesca, esgoto e agrotóxicos são ameaças à reserva da Ilha do Arvoredo

Notícias do Dia - https://ndonline.com.br/
Autor: Brunela Maria
23 de ago de 2017

Alerta integra livro produzido com a participação de 140 profissionais ao longo de três anos, que será apresentado nesta quarta-feira (23), em Florianópolis

Um estudo realizado durante três anos na área da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, localizada entre Florianópolis e Bombinhas, no Litoral Norte, alerta para os riscos da interferência humana na região. As informações obtidas por uma equipe de 140 profissionais, mobilizadas através do Maare (Projeto de Monitoramento Ambiental da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno), apontam a pesca ilegal, a poluição de rios como Tijucas e o Biguaçu e o uso de agrotóxicos nas lavouras do continente como verdadeiros predadores das espécies que a reserva foi criada para preservar.

A pesquisa também sinaliza outros problemas na área de conservação. Um deles é o coral-sol, uma espécie invasora que, por não ter um predador natural, prolifera-se rapidamente e toma o espaço das populações locais. Além de identificar o invasor e informar ao Icmbio (Instituto Chico Mendes), os pesquisadores-mergulhadores ajudaram a removê-lo de forma voluntária. As informações obtidas durante 130 expedições foram publicadas num livro que será lançado nesta quarta-feira (23), às 19h, no Centro Integrado de Cultura (CIC), na Capital.

O documento, resultado desses três anos de pesquisa, entre 2014 e 2016, traz os dados compilados em relatórios técnicos e científicos, os quais geraram uma série de trabalhos acadêmicos, como artigos e teses. Segundo a professora Bárbara Segal, coordenadora do projeto e responsável pela parte biológica do Maare, o livro destaca a importância da unidade de conservação. "Temos capítulos que falam sobre organismos importantes, sendo peixes, lagostas, ouriços e macroalgas que geram ambiente para pequenos organismos se estabelecerem. Na parte oceanográfica há destaques para os hidrocarbonetos, metais, substâncias poluentes identificadas, as temperaturas da agua, dados do oxigênio, qualidade de água e biodiversidade na coluna da água", reforça.
Impactos das mudanças climáticas

Ao longo do trabalho, os pesquisadores ainda identificaram problemas causados pelas mudanças climáticas, que também têm relação com a inferferência humana.

De acordo com a professora Andrea Santarosa Freire, vice-coordenadora do projeto e responsável pela parte oceanográfica, mesmo com o forte El Ninho registrado entre 2015 e 2016, que aqueceu as águas do Oceano Pacífico, as águas catarinenses permaneceram mais frias.
"Percebemos que não necessariamente as mudanças globais vão fazer com que aqui as temperaturas fiquem mais quentes. Aqui pode ficar até mais frio, como aconteceu em 2016. E se ficar mais frio esta fauna da Rebio vai sofrer porque é tropical e pode não resistir muito a baixas temperaturas", explicou.
Baixa biodiversidade em áreas do entorno

Outros perigosos detectados pelo projeto são os altos índices de poluição na baía norte, em Florianópolis e na baía do rio Tijucas, em Tijucas. Esses espaços apresentam baixo índice de biodiversidade e podem, no futuro, afetar a reserva.
"Qual a tendência? Se não cuidarmos do entorno, essa poluição e essa baixa diversidade vão ocorrer dentro da reserva. Penso que o Maare serve como um alerta de que agora é realmente preciso cuidar. Os municípios no entorno precisam cuidar, todos têm uma responsabilidade em relação à reserva", alertou Andrea.

Hoje, no entanto, ainda há muito mais biodiversidade dentro da Rebio Arvoredo que no seu entorno. No caso de peixes como as garoupas, por exemplo, dentro da reserva são encontrados em maior número e tamanho. "Esse status de conservação gera um panorama onde os peixes possuem um tamanho maior. Dessa forma, a Rebio Arvoredo ajuda a recompor o entorno com peixes. Isso mostra claramente a importância de ter áreas reservadas", avalia Bárbara Segal, professora e coordenadora do projeto. Ela reforça que existe uma pressão de pesca na reserva e que essa área até poderia exportar os recursos para lugares próximos de maneira eficiente.

https://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/estudo-comprova-que-pesc…

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