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Estudo associa seca ao uso maior da Cantareira

OESP, Metrópole, p. A20
09 de Fev de 2014

Estudo associa seca ao uso maior da Cantareira
Especialista da Unicamp alerta para a possibilidade de se entrar em
período histórico de pouca chuva; produção atual segue lógica contrária

Ricardo Brandt / CAMPINAS

O aumento do volume máximo de água produzido pelo Sistema Cantareira - que abastece 47% da Grande São Paulo-,a partir de 2004, agravou a situação de esvaziamento de represas, até chegar a um atípico verão sem chuva. Os reservatórios chegaram ao pior nível(20,3% da capacidade) neste mês.
Um estudo do especialista em hidrologia da Unicamp Antônio Carlos Zuffo indica que o aumento de produção do sistema desconsiderou períodos de pouca chuva. O Cantareira começou a ser construído com base em um período de poucas precipitações- que durou de 1935 a 1969. Nas duas décadas seguintes, no entanto, o volume de precipitações aumentou e a vazão subiuaté30%. "Com base nesse período de mais chuva, quando foi renovada a outorga, em 2004, elevou-se a capacidade de produção do Cantareira, porque viram que ele chegou a fornecer até 7 mil litros de água por segundo a mais." A partir de 2004 a Sabesp, que opera o sistema, recebeu da Agência Nacional de Águas (ANA)e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) autorização para aumentar o volume de produção de 33 mil para 36 mil litros de água por segundo.

Observando as chuvas desde 1910, o estudo indica que o Estado pode ter entrado em um período de 30 a 40 anos com precipitações abaixo da média dos anos anteriores. O que colocaria o Cantareira em colapso se não for redimensionada sua capacidade. As conclusões do estudo, encomendado para o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, entidade que representa 73 cidades do interior de onde é retirada a água do sistema, foram apresentadas em junho. "Sem novos sistemas poderemos ter de conviver por 10 a 15 anos com os racionamentos se entrarmos em período de seca", diz Zuffo.

Margem de erro.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse que o cálculo para a regularização dos reservatórios foi feito considerando alguns riscos. "Com base na série histórica passada, fazemos a projeção. E, nessa projeção, assumimos um risco pequeno, de 5%. Não há reservatório no mundo que opere com risco zero. Trabalhamos com curvas, não sabemos o futuro." / Colaborou Giovana Girard

Depois de 15 dias, chove em São Paulo

Depois de duas semanas sem nem sequer uma gota, choveu no início da noite de ontem na capital paulista - uma leve pancada, apenas na zona norte. O Mirante de Santana registrou 2,8 mm entre 18h e 19h. De acordo com a Clima tempo, a situação deve repetir-se na tarde de hoje. "Desde sexta estamos observando um aumento na umidade do ar. Como o ar seco ainda predomina, não devemos ter grandes chuvas por enquanto", prevê o meteorologista Paulo Matsuo. No dia 24, data do último registro de precipitação na capital, o mirante marcou 45 mm. /Edison Veiga

OESP, 09/02/2014, Metrópole, p. A20

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