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Estudo aponta 321 pontos de mineração ilegal de ouro na Amazônia

UOL - https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/
Autor: CHADE, Jamil
08 de abr de 2021

Estudo aponta 321 pontos de mineração ilegal de ouro na Amazônia

Jamil chade

Um levantamento publicado nesta quinta-feira pelo Instituto Igarapé revela a dimensão da mineração ilegal do ouro na Amazônia e seu impacto tanto para a floresta como para indígenas e moradores da região. De acordo com o estudo, nada menos que 321 pontos de mineração ilegal foram identificados em nove estados da região, de acordo com a Rede Amazônica de Informação Socioambiental (Raisg).
"Corrupção, desmatamento, violência, contaminação de rios. Ilegalidades cometidas no ciclo do ouro têm provocado a destruição de florestas e de vidas, sobretudo de populações indígenas, na Amazônia brasileira", alerta o estudo.
De acordo com o instituto, o aumento na procura geral por ouro nos últimos anos gerou um crescimento também na demanda relacionada à mineração ilegal de ouro na região. "As consequências são mortais", afirma.
O estudo revela que, nos últimos 20 anos, a cotação do ouro aumentou de US$ 400 para US$ 1.861,50 por onça em razão da elevada demanda da China e da Índia. "Um aumento na procura geral provocou uma demanda relacionada pela mineração ilegal de ouro, uma indústria que, segundo estimativas, rende entre US$ 12 bilhões e US$ 28 bilhões ao ano", diz. A contribuição do garimpo para as taxas de desmatamento em territórios indígenas na Amazônia aumentou de 4%, em 2017, para 23% em junho de 2020, de acordo com o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter). A publicação mostra como, somente entre 2017 e 2019, 1.174 hectares de floresta foram perdidos em razão da mineração de ouro no território Yanomami e, em 2019, o território teve as maiores taxas de desmatamento dos últimos dez anos, chegando a 418 hectares. Enquanto isso, o território Munduruku viu o maior aumento no desmatamento em 2020, com imagens de satélite revelando um crescimento de 58% no desmatamento relacionado à mineração, nos primeiros quatro meses de 2020, comparando-se com o mesmo período do ano anterior. "Além disso, garimpeiros usam mercúrio para extrair o metal, contaminando rios, peixes e quem depende deles para viver, como os povos indígenas Yanomami e Munduruku. De acordo com o Ministério Público Federal, 1 kg de ouro representa cerca de R$1,7 milhão em danos ambientais, resultando em um custo cerca de 10 vezes maior que o preço do mercado do ouro", alertam.
Medidas
Para o Igarapé, medidas urgentes precisam ser tomadas, como o reconhecimento e a proteção de terras indígenas e o rechaço do Projeto de Lei no 191/2020, que tramita no Congresso Nacional, abrindo essas terras para exploração mineral. Outra ação que poderia ajudar seria a digitalização da compra do ouro e o estabelecimento de novos critérios para concessão de permissão de lavras garimpeiras para que mecanismos efetivos de controle possam ser implementados. "A preservação da floresta amazônica é fundamental para que se evite um colapso climático irreversível. Dessa forma, a necessidade de impedir a mineração ilegal e proteger as terras indígenas na Amazônia é mais urgente do que nunca", afirmam os autores do documento.

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