OESP, Metrópole, p. C4
13 de Ago de 2009
Estado planeja ciclovia na Marginal
Obra usaria estrada de serviço da Emae e ficaria pronta em 2010
Renato Machado e Valéria França
O governo do Estado de São Paulo pretende construir ciclovias ao longo de toda a Marginal do Pinheiros até o fim de 2010. O próprio governador José Serra anunciou a intenção no microblog Twitter. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos iniciou na semana passada os estudos para o primeiro trecho, de aproximadamente 7,5 quilômetros, entre as regiões dos Parques do Povo, no Itaim-Bibi (zona sul), e Villa-Lobos, em Pinheiros (zona oeste). A ciclovia vai funcionar ao longo da via da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
"Em no máximo dois meses estaremos com todos os estudos prontos para já começarmos as obras. E será fácil e necessário pouco investimento para construir essa ciclovia, porque grande parte da estrutura já existe", diz o secretário, José Luiz Portella.
Ele se refere à estrutura usada atualmente como estrada de serviço da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Ao lado de grande parte da extensão da Linha 9- Esmeralda da CPTM há pistas asfaltadas que são utilizadas pela companhia para o transporte de alguns equipamentos. A Emae deve continuar a utilizar uma parte da área, mas as pistas de automóveis e bicicletas serão separadas.
Um dos primeiros detalhes abordados pelos técnicos da secretaria é a forma como será feita a ligação da ciclovia com o restante das outras vias, uma vez que a pista dos ciclistas estará no canteiro central da Marginal do Pinheiros. Segundo Portella, devem ser feitas adaptações nas passarelas e outras estruturas existentes atualmente para a travessia de passageiros.
"Estamos só discutindo algumas questões operacionais. Por exemplo, como fazer para separar os passageiros dos ciclistas, para que eles tenham um acesso diferente ao chegar à estação e não precisem pagar passagem", diz Portella.
O projeto para as ciclovias na Marginal do Pinheiros foi elaborado inicialmente pela Emae, que pretendia construir as pistas nas duas margens do rio. O trajeto seria do Parque Burle Marx até a chamada Usina da Traição - com aproximadamente 6 km. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que os projetos podem ser unificados, para que consigam ser concluídos até o último trimestre do próximo ano.
A CPTM também inaugurou na semana passada o 15o bicicletário nas estações, que agora oferecem um total de 4,2 mil vagas. O último espaço inaugurado está na estação Vila Olímpia, na Linha 9-Esmeralda, e oferece espaço para 94 bicicletas. Outras estações contam com paraciclos - estruturas para acorrentar as bicicletas.
Prefeitura mira na periferia
Novas faixas devem interligar parques e ruas da cidade
Renato Machado e Valéria França
São Paulo terá 45 quilômetros de ciclovias, faixas e pistas compartilhadas em três regiões da periferia da capital até o fim do próximo ano. Esse é o início da implementação da infraestrutura viária para o trajeto de bicicletas como meio de transporte, promessa do plano de metas do prefeito Gilberto Kassab. E para quem usa a bicicleta como lazer a Secretaria de Esportes abre no último domingo do mês (dia 30) um percurso que interliga os Parques do Povo, da Bicicleta e do Ibirapuera, localizados na zona sul, com 5 quilômetros.
Hoje, a cidade tem apenas 9 quilômetros de ciclovias e registra 304 mil viagens diárias de bicicletas. "A aprovação dessas obras indica uma mudança positiva no cenário", diz André Pasqualine, de 35 anos, cicloativista e presidente do Instituto Ciclobr. Em julho, as ciclovias deixaram de ser uma competência da Secretaria do Verde. "Elas passaram para a Secretaria de Transportes, mais habilitada para provocar transformações na infraestrutura viária da cidade", explica Laura Cineviva, ex-coordenadora do Pró-Ciclista, um grupo criado em 2006 para reunir várias secretarias do Município em ações interligadas.
A ciclovia para ligar os parques funcionará todos os domingos, durante dois meses, em caráter experimental. "É um teste para depois expandirmos o trajeto de 5 quilômetros para 22 quilômetros e então interligar nove parques da cidade", diz Walter Feldman, secretário de Esportes do Município. "Antes da inauguração, vamos mostrar o trecho para cicloativistas."
Três regiões da periferia - Grajaú, na zona sul, Jardim Helena, na leste, e Jardim Brasil, na zona norte, receberão 45 quilômetros de faixas para bicicletas, previstas para o segundo semestre de 2010, e mais 55 quilômetros em 2012. As obras começam até dezembro.
"São trechos ainda curtos, distantes do ideal, que seria a construção de um plano de ciclovias para toda a cidade", diz Pasqualine. "Sem interligações, elas não resolvem o problema. Mesmo assim, servem para ensinar a CET a lidar com o ciclista." Laura vai além: "Ajuda numa mudança de hábitos do paulistano. Vale lembrar que as ciclovias de Bogotá (na Colômbia) ficaram vazias até o governo promover uma campanha.
OESP, 13/08/2009, Metrópole, p. C4
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