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Especialistas fazem um alerta sobre a crise global da biodiversidade

OESP, Vida, p. A20.
20 de jul de 2006

Especialistas fazem um alerta sobre a crise global da biodiversidade

Herton Escobar

A crise global da biodiversidade é um problema tão grave quanto o aquecimento global - se não pior - e merece ser tratado como tal. Essa é a reivindicação de um grupo internacional de especialistas, apresentada hoje na revista Nature. Eles pedem a formação de um comitê científico internacional para subsidiar a formulação de políticas contra a perda de biodiversidade, a exemplo do que ocorre desde 1988 com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"É preciso urgentemente construir uma ponte entre a ciência e a política", dizem os cientistas. Como no caso das mudanças climáticas, segundo eles, há evidências crescentes, e cada vez mais convincentes, de que o mundo está à beira de uma enorme crise de biodiversidade. "Apesar dessas evidências, a biodiversidade ainda é consistentemente subavaliada e não recebe o peso adequado nas decisões tanto públicas quanto privadas."

Segundo a Lista Vermelha da União Mundial para a Natureza (IUCN), mais de 16 mil espécies de fauna e flora estão ameaçadas de extinção. Outras 784 já foram declaradas extintas. "É um crime extraordinário, muito mais sério do que o aquecimento global", disse ao Estado o botânico Peter Raven, presidente do Jardim Botânico do Missouri (EUA), que é um dos autores do artigo. "A perda de biodiversidade não pode ser revertida. É para sempre."

O IPCC é o órgão que subsidia cientificamente as decisões da Convenção do Clima das Nações Unidas. A idéia seria criar algo parecido para a Convenção da Diversidade Biológica. Uma iniciativa está sendo financiada pelo governo da França, mas falta apoio internacional.

"Seria um mecanismo importante para aproximar os avanços científicos da necessidade de políticas de conservação da biodiversidade", avalia o especialista brasileiro Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas.

O artigo é assinado por 19 cientistas de 13 países - nenhum do Brasil, o País mais megadiverso do planeta.

OESP, 20/07/2006, Vida, p. A20.

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