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01 de Mar de 2026
Especialistas defendem bacias hidrográficas como base para organizar o território de Mato Grosso em seminário na UFMT
01 Mar 2026 - 15:49
Da Redação
Pesquisadores e especialistas estão defendendo uma mudança importante na forma de planejar o território de Mato Grosso: usar as bacias hidrográficas, e não apenas os limites políticos dos municípios, como referência para o ordenamento territorial do estado. A proposta é que toda a área de contribuição de um rio, da nascente à foz, seja considerada na definição de zonas e subzonas do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE).
O tema será o centro do seminário "Bacias Hidrográficas e Ordenamento Territorial", que acontece na próxima quarta-feira (25), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A doutora Rosely Sanches, representante do Instituto Socioambiental (ISA) na Comissão do ZSEE, explica que ordenar o território significa planejar e organizar como o espaço será ocupado e utilizado.
"A bacia hidrográfica representa uma das unidades de planejamento e ordenamento territorial. Conhecer onde estão as nascentes e toda a área de captação de um determinado córrego ou rio é fundamental para conservá-las e garantir seu uso equilibrado e sobrevivência", afirmou.
Para o professor e procurador Alexandre Luís Cesar, as bacias são unidades naturais de planejamento mais eficientes do que as fronteiras político-administrativas, que foram definidas sem considerar critérios socioambientais.
"Essa pauta é importante por diversos aspectos, de natureza social, econômica e ambiental. Primeiro, porque, sendo Mato Grosso um estado economicamente diverso, o seu ordenamento territorial é imprescindível para um diagnóstico adequado das causas das desigualdades regionais e o direcionamento de recursos públicos e privados para mitigá-las", explicou.
Entre os estados da Amazônia Legal, Mato Grosso é o único que ainda não concluiu o seu Zoneamento Socioeconômico-Ecológico. Segundo os pesquisadores, essa lacuna pode comprometer investimentos públicos e privados e trazer riscos à sociobiodiversidade.
O analista de geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), Lucas Araújo, reforça que usar as bacias como referência permite prever melhor os impactos das atividades econômicas.
"Por exemplo, se você tem uma atividade de mineração na cabeceira de um rio, você pode atingir comunidades de pescadores que vivem na foz daquele rio. Utilizando as bacias hidrográficas como unidades de planejamento, você consegue ter essa previsão. Diferente de você definir unidades territoriais básicas através de limites político-administrativos, como os municípios", destacou.
O objetivo do evento é ampliar o debate técnico, científico e institucional sobre como aplicar essa metodologia no estado. A proposta inclui apresentar estudos de caso e exemplos práticos já adotados em outras regiões.
"Queremos também trazer estudos de casos, então trazer exemplos de como essa metodologia vem sendo aplicada, exemplos práticos que já estão acontecendo ou que já aconteceram para que a gente possa vislumbrar como isso pode ocorrer no estado de Mato Grosso. Também queremos abordar temas inovadores, como a presença de sítios arqueológicos dentro desse ordenamento", concluiu.
Além da UFMT e do ICV, o seminário é organizado por instituições como o Instituto Socioambiental, a Associação Xaráes, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Sociedade Fé e Vida, a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), com apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
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