O Globo, Sociedade, p. 20
30 de Nov de 2015
Especialista diz que acordo é a única alternativa
Para Christiana Figueres, propostas são um avanço, mas devem ser mais ambiciosas
Vivian Oswald
PARIS - Personagem-chave da Conferência do Clima que começa nesta segunda-feira na cidade francesa em Le Bourget, na periferia de Paris, a costarriquenha Christiana Figueres teve ontem a confirmação simbólica do peso da sua responsabilidade nas próximas duas semanas: recebeu das mãos do presidente francês, François Hollande, a chave do centro de convenções onde serão realizadas as reuniões que buscam um acordo global inédito pela redução dos gases de efeito estufa. Secretária-geral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), ela afirmou que não há opção a não ser a de fechar um acordo.
- Estou 100% otimista. Sabem por quê? Porque não temos outra alternativa. Porque o mundo sabe disso. Porque temos 150 líderes aqui apoiando um acordo ambicioso. Não há opção - disse a um grupo de jornalistas brasileiros, já de volta a Paris, poucas horas depois de estar com o presidente francês.
Figueres defende um acordo que seja "transformador, durável, justo e que apoie os países em desenvolvimento". Mas pesam para se chegar a um acordo as dificuldades para saber de que bolso sairão os recursos necessários adotar as medidas prometidas. E de que maneira essa conta será dividida para não penalizar o desenvolvimento dos países emergente. Para Figueres, a complexidade não está em nenhuma questão em especial:
- Mas em colocá-las todas juntas.
O que separa as grandes expectativas em torno desta conferência do enorme fracasso da cúpula de Copenhague, em 2009, é um engajamento que a especialista diz não ter visto de outras vezes. Das 195 nações representadas em Le Bourget, 183 entregaram a priori propostas de ação voluntárias para a redução das emissões. Seis anos atrás, o volume total não passava de 50. Ainda assim, as propostas estão longe de serem suficientes para limitar o aumento da temperatura do planeta em até 2 graus Celsius até 2100.
- É muito mais do que já tivemos na história dessa conferência e cobre 94% das emissões. é um grande avanço, mas não é suficiente.
Outro fator positivo para justificar o seu otimismo, que para muitos pode ser exagerado diante de tantos interesses distintos, é que as novas tecnologias reduziram os preços das energias renováveis em 80% desde 2009.
Segundo ela, está muito claro que US$ 100 bilhões deverão ser pagos anualmente pelos países desenvolvidos e pelo setor privado para financiar as medidas de mitigação.
Apesar da clara má vontade já manifestada pelos EUA com cláusulas vinculantes, que criam obrigações jurídicas, Figueres acredita que esta é uma das bases para um acordo duradouro. E, segundo ela, os governos já se comprometaram com isso.
- Os governos disseram em Durban, em 2011, que eles chegariam a esse acordo em 2015. Nunca chegaram a falar de um acordo com cláusulas vinculantes anos antes de Copenhague.
Mas se a sua aposta não se concretizar, qual seria o sinal para o mundo de um novo fracasso em Paris?
- Não trabalho com essa possibilidade. Próxima pergunta - rebate prontamente.
Sobre a capacidade do Brasil de cumprir a promessa de reduzir o desmatamento no pais, foi taxativa:
- Vai depender do Brasil, mas seria uma ajuda enorme para o mundo
O Globo, 30/11/2015, Sociedade, p. 20
http://oglobo.globo.com/sociedade/secretaria-executiva-da-cop-diz-que-a…
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