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Autor: Ana Karine Oliver
11 de Nov de 2013
A arte indígena de Roraima começa a ganhar espaço no âmbito nacional. Dando ênfase ao tema sustentabilidade, a Miniempresa Artes Bananeira, integrada por alunos da escola estadual Tuxaua Manoel Horácio, da comunidade Guariba, município do Amajarí, será a representante do Estado no Prêmio Miniempresa 2013 - Região Norte, da Junior Achievement Brasil.
A apresentação dos trabalhos a nível nacional está programada para acontecer em dezembro, onde quatro alunos dessa instituição levarão os trabalhos, em busca de trocar ideias e conhecimentos.
Cadernetas, caixas, presilhas para cabelo, cinto, enfeites de canetas e outros itens fazem parte da produção de artesanatos dos 28 estudantes das turmas dos 1o, 2o e 3o ano do ensino médio da unidade que utilizam a bananeira para criar os produtos.
Essa é a primeira vez que a escola participa do projeto e já conseguiu alcançar a primeira colocação da região Norte. Uma das coordenadoras do projeto na comunidade, professora Monaliza Ribeiro, explica que a preocupação dos alunos consistiu na preservação do meio ambiente, visando o fortalecimento da cultura indígena.
"Temos as nossas tradições e esse é um dos nossos princípios. Como a bananeira depois que dá o fruto não fica fértil, então resolvemos aproveitá-la para a confecção dos artesanatos, com o apoio dos pais dos estudantes que nos ajudaram a passar os conhecimentos sobre como fazer cada produto, adaptando à nossa realidade", disse.
A faixa etária dos participantes é de 14 a 20 anos e ação teve início em 2013, onde em junho, começou a produção dos trabalhos. Inicialmente, as professoras coordenadoras, Monaliza e Valdelia Cadete passaram por capacitações oferecidas pela Junior Achievement e posteriormente foram repassadas todas as orientações aos alunos, relacionadas ao funcionamento de uma empresa.
O programa com a formação de pequenas empresas é considerado um incentivo para despertar a visão de empreendedorismo, de responsabilidade social e sustentável entre os alunos e a própria comunidade, segundo Monaliza.
"Inclusive, a nossa miniempresa tem uma composição completa com diretores e demais integrantes necessários na organização.Para começarmos as atividades, elaboramos uma pesquisa de campo na região, seguimos os ensinamentos que o minicurso traz e tivemos a parte teórica do que é uma empresa. De grande importância para todos nós", afirmou.
Sobre o fato de a escola ser principiante no assunto e já ter conquistado o primeiro lugar dentre muitos trabalhos apresentados por outras instituições, a professora ressalta que foi uma surpresa para todos, tornando-se mais um estímulo para continuar confeccionando as artes com dedicação e zelo.
"Para nós está sendo muito gratificante. Como orientadores, sentimo-nos realizados porque sabemos das dificuldades que temos no dia a dia, por estarmos em uma localidade distante e não termos muitos materiais pedagógicos. Mas tentamos da melhor forma levar o conhecimento a cada aluno. Da parte deles, observamos o entusiasmo e a satisfação em ter visto o trabalho ser destacado com a um união e empenho de todos", disse.
Ao final de todas as etapas do projeto, a coordenação pretende escrever um artigo científico e publicar os resultados obtidos nessa experiência, contando cada detalhe, relacionadss aos benefícios do desenvolvimento do trabalho, sendo uma forma de mostrar às outras unidades de ensino o quanto isso contribui positivamente na vida escolar e até profissional.
PRODUÇÃO
Ao todo, a Miniempresa Artes Bananeira conseguiu produzir na primeira etapa 100 canetas enfeitadas com fibras da planta, 100 blocos de anotações, diversos suportes de panelas, presilhas e travessas de cabelo, cintos femininos, pulseiras, caixas e outros.
Os itens são vendidos em preços acessíveis que variam de R$ 5 a R$ 30. Ainda não há local fixo de vendas, mas quando se realizam feiras, festas, eventos culturais, as coordenadoras buscam a oportunidade de vender os artigos.
"Também fazemos por encomenda. Nesta semana, já começaremos a confeccionar mais porque da primeira produção temos poucos objetos. Vamos atender a encomenda e também agilizar para a apresentação dos trabalhos no evento nacional que o grupo participará em dezembro", completou Monaliza.
O lucro obtido nas primeiras vendas foi em torno de R$1.300, onde o valor é divido entre os participantes uma vez que todo o trabalho de produção foi deles.
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