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Escola indígena gaúcha é premiada por parceria

Jornal do Comércio jcrs.uol.com.br
Autor: Isabela Sander
21 de nov de 2017

Desde que a Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Nhamandu Nhemopu'ã foi inaugurada, em 2013, no Parque Estadual de Itapuã, em Viamão, a aldeia Tekoá Pindó Mirim tem mais um apoio para disseminar os conhecimentos tupi-guarani e, ao mesmo tempo, receber incrementos na educação formal. Os professores lotados na instituição se engajaram no desafio, em parceria com o Instituto Sementes ao Vento, que há seis anos participa de diversos projetos na aldeia. Essa união tem dado frutos - foi condecorada, neste mês, finalista da etapa regional do Prêmio Itaú-Unicef.
O projeto "Yvyra Yky - educação sociocultural ambiental Guarani Terra Vida" foi o vencedor da regional Curitiba, que abrange os três estados da região Sul, na categoria pequeno porte. Com isso, a escola recebeu R$ 20 mil, e a organização parceira recebeu outros R$ 20 mil. A ação concorre, agora, na etapa nacional, que terá seus vencedores divulgados no dia 11 de dezembro. Cada escola e organização que ganhar em cada porte orçamentário receberá mais R$ 100 mil para qualificar as atividades desenvolvidas.
A diretora da escola Nhamandu Nhemopu'ã, Alessandra Santos, que foi a São Paulo receber o prêmio regional, ressalta que "Yvyra Yky" significa "terra vida". "É um trabalho com a comunidade indígena que vem desde a educação tradicional guarani, a educação secularizada, permeando todos os aspectos socioculturais e ambientais", explica. Alunos, pais, caciques, líderes e a aldeia em geral participam das oficinas, que foram construídas coletivamente junto à comunidade, que possui entre 80 e 90 indígenas.
Entre as ações promovidas está a construção de uma casa de reza para a aldeia, a Casa de Opy, na qual foi transportado barro para a estrutura, uma vez que a reserva de Itapuã só possui areia. Também foram construídos uma horta na comunidade, um orquidário, além de estrutura para compostagem e intercâmbio entre outras aldeias da região do Salto do Jacuí, a fim de obter um conhecimento maior sobre a cura através de plantas. É possível, ainda, fazer visitas agendadas à comunidade, para participar de trilhas, conversas sobre a cultura guarani e rituais de recepção e conhecimento.
Alessandra chama atenção para a marginalização que sofre o povo guarani, algo que a escola procura ajudar a mudar com as oficinas. "Eles querem dizer: nós somos seres presentes, vivos, fazemos parte da história do presente, e não da do passado. Poder trazer isso para um projeto em nível nacional, e ainda ganhar é muita gratidão. É Nhanderú (Deus) dizendo: 'continua teu trabalho'", relata. As ações visam, ainda, trazer sustentabilidade à comunidade, que vive em terra improdutiva.
Como fica dentro da aldeia, a escola Nhamandu Nhemopu'ã é diferente das outras em alguns quesitos - os costumes indígenas são respeitados, e as aulas são bilíngues, abrangendo português e tupi-guarani. "O guarani quer conhecer a sociedade, os conteúdos de uma escola regular, mas precisamos fazer uma mediação entre esses dois mundos, sem sobrepor, sem dizer que a nossa verdade é a máxima", observa a diretora.
Com os R$ 20 mil recebidos, a ideia é qualificar a estrutura do local, melhorando o espaço de recepção de visitantes. A partir dessa reforma, a comunidade espera se tornar mais sustentável, já que, ao receber as visitas, poderá vender seus artesanatos e projetar sua cultura.

Vencedores de Prêmio Itaú-Unicef serão conhecidos em 11 de dezembro
O Prêmio Itaú-Unicef existe desde 1995, e ajuda escolas e entidades a aperfeiçoarem seus trabalhos, através da troca de experiências durante as premiações. "Com essa troca de experiências, eles acabam identificando o que têm de parecido e descobrem outras formas de solucionar desafios", afirma a coordenadora de fomento do Itaú Social, Camila Feldberg.
Mais de 1,6 mil projetos foram inscritos em todas as regiões, com 96 parcerias selecionadas. Dessas, 32 saíram vencedoras, sendo quatro de cada uma das oito regionais. No dia 11 de dezembro, serão conhecidas as quatro vencedoras nacionais. São valorizadas parcerias que contribuem para a educação integral das crianças em dois eixos: a qualidade do que chega para o aluno e qual a qualidade da parceria em si.
Para Camila, em momentos de crise financeira, a parceria entre escolas públicas e entidades privadas se torna ainda mais importante. "Como garantir a educação integral das crianças fazendo tudo sozinho? Não é papel de ninguém exclusivamente. Tem uma parte que é responsabilidade da família, outra que é da escola, e outra que é da sociedade como um todo", destaca. Na opinião da coordenadora do Itaú Social, essa soma de olhares potencializa o que chega para o estudante.

http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/geral/597395-escola-indigena-g…

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