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Escola de ensino integral em Araruama desenvolve projeto que valoriza raízes quilombolas e indígenas

g1 - g1.globo.com
Autor: Isabela Lauriano, g1 — Araruama
27 de Mar de 2026

Escola de ensino integral em Araruama desenvolve projeto que valoriza raízes quilombolas e indígenas - Foto: Divulgação

Em Araruama, na Região dos Lagos do Rio, a Escola Municipalizada Prodígio, localizada em Tapinoã-Prodígio, território quilombola do município, tem se destacado com um projeto de educação integral que valoriza a história, cultura e ancestralidade de seus alunos.

O projeto "Conhecendo Minhas Raízes e Valorizando Nossas Identidades Educação Integral" implementado desde 2024, atende 29 crianças do 1o ao 3o ano do ensino fundamental.

A iniciativa propõe atividades que estimulam a autoestima dos estudantes e fortalecem os vínculos intergeracionais, promovendo uma abordagem pedagógica antirracista e afrocentrada. Entre as ações, destacam-se:

Rodas de conversa sobre ancestralidade;

Oficinas sobre saberes tradicionais da comunidade;

Imersão na literatura negra e indígena, com produção de textos, desenhos e diários de leitura;

Criação de um alfabeto visual com palavras de origem africana e indígena.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Além disso, a equipe pedagógica participa de formações continuadas, e há encontros com famílias, lideranças quilombolas, parteiras, rezadeiras e mestres de saberes, criando uma rede colaborativa entre escola e território.

Segundo Aline Pereira Botelho dos Santos, doutoranda e mestre em Educação e atualmente coordenadora do Departamento de Igualdade Racial da Secretaria de Educação de Araruama, o projeto é um gesto de reparação e de futuro.

"Ele nasce da necessidade de aproximar a escola da vida real dos estudantes, reconhecendo que o currículo só floresce quando dialoga com o território, com a memória e com a ancestralidade." afirma a idealizadora do projeto.

Os resultados já são perceptíveis: aumento do interesse dos alunos pelas atividades escolares, desenvolvimento da leitura e produção textual, formação de uma consciência racial positiva e fortalecimento da relação entre escola e comunidade.

A experiência também inspirou ações estruturais na rede municipal, como a criação do Protocolo de Educação para Promoção da Igualdade Racial e a construção coletiva do currículo complementar quilombola.

"É uma proposta que afirma: nossas crianças têm história, cultura, raízes profundas, e a educação precisa honrá-las. Essa experiência devolve às crianças quilombolas o direito de se verem, se nomearem e se celebrarem dentro da escola", conclui a idealizadora do projeto.

https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2026/03/27/escola-de-e…

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