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Enviado da CUT pede retomada da obra de Jirau

OESP, Economia, p. B7
22 de Mar de 2011

Enviado da CUT pede retomada da obra de Jirau
Em reunião com sindicalistas locais, dirigente defende posição do governo e das construtoras

Leonencio Nossa

Enquanto mais de 300 trabalhadores das obras da usina de Jirau ainda se amontoavam em alojamentos precários, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) discutia, na manhã de ontem, em um hotel de Porto Velho, o espaço político no governo e o comando sindical dos canteiros das margens do Rio Madeira.
A conversa do tesoureiro da CUT, Vagner Freitas, e sindicalistas locais parecia diálogo de empresários e representantes do Planalto. Em 30 minutos de conversa ouvida pela equipe do Estado, Freitas não citou a situação dos trabalhadores.
O enviado da CUT a Porto Velho defendeu a posição do governo federal e das construtoras. Em um momento de intriga, Freitas aproveitou para fazer críticas aos ministros Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Carlos Lupi (Trabalho), à Força Sindical e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi nesse momento que citou, de forma genérica, as condições de trabalhadores nos canteiros de obras no País. "No PAC é uma palhaçada, uma baixaria", afirmou.
Vagner defendeu a volta dos operários ao trabalho. "Tem de voltar a trabalhar. Eu sou brasileiro, quero ver essa usina funcionando", disse. Em seguida, usou um discurso típico do governo: "O Brasil precisa de energia limpa. A obra da usina precisa voltar a funcionar, porque a sociedade está sendo prejudicada."
Ele orientou os colegas do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sticcero) a continuar a briga na Justiça para garantir a representatividade dos operários dos canteiros de Jirau e de Santo Antônio. O Sticcero é acusado de "peleguismo" pelos trabalhadores. "Se a Camargo (Corrêa) quer conversar com vocês em São Paulo, não tem problema. A gente pode ajudar nas negociações por cima."
Ao final do encontro, o Estado perguntou a Vagner Freitas se não era oportuno discutir as condições dos operários de Jirau em vez de debater o comando sindical. "Eu acho", respondeu. Ele também foi questionado se a função dele era discutir "energia limpa". Afirmou que o momento era de resolver a crise envolvendo os trabalhadores.
Clube. Do outro lado da cidade, operários da Camargo Corrêa esperavam os últimos ônibus disponibilizados pela empresa para transportar trabalhadores de volta às suas casas. À tarde, no clube Nautillus, um dos locais usados pela construtora para alojar operários desde o quebra-quebra da semana passada no canteiro de Jirau, o maranhense Francisco Alves Conceição, 20, reclamou do valor pago pela empresa para as despesas com alimentação durante a viagem.
"Até Presidente Dutra, no Maranhão, são três dias e três noites. O ônibus vai deixar a gente lá. Ainda terei de pegar condução para chegar à minha cidade, Santa Efigênia, que custará uns R$ 40. Na estrada, uma refeição não sai por menos de R$ 12. Faz a conta." O paraense Luciano da Silva Nunes, 20, de Tucuruí, disse que foi avisado que o ônibus irá até Belém. Estima que levará quatro dias para chegar à capital do Pará. Ele terá de pagar uma condução até Tucuruí, a 453 quilômetros de Belém. "Não vai dar para comer durante a viagem com apenas R$ 100."

Em Santo Antônio, obras devem ser retomadas hoje

O consórcio responsável pela construção da hidrelétrica de Santo Antônio (RO) informou ontem que as atividades no canteiro de obras serão retomadas hoje. As obras da usina, localizada no rio Madeira e que terá capacidade instalada de 3.150 megawatts (MW), foram paralisadas na última sexta-feira.
A decisão do consórcio de interromper as obras aconteceu após uma rebelião entre os trabalhadores da usina de Jirau (3.450 MW), que também está sendo erguida no rio Madeira.
A Energia Sustentável do Brasil, concessionária de Jirau, havia informado que retomaria os trabalhos ontem,
Mas, segundo a assessoria de imprensa do consórcio, o plano não deu certo porque na noite de sexta-feira ocorreram novos tumultos e alguns alojamentos que não foram incendiados no primeiro levante acabaram pegando fogo.

OESP, 22/03/2011, Economia, p. B7

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110322/not_imp695335,0.php
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110322/not_imp695336,0.php

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