OESP, Nacional, p. A7
15 de Mai de 2007
Entidades seguirão eleitos de perto
Moacir Assunção
Um grupo de entidades da sociedade civil pretende ajudar a despertar no paulistano o gosto pela política e o saudável hábito de cobrar das autoridades suas promessas do período eleitoral, além de estimular o voto consciente, guiado por idéias e ideais.
Ao mesmo tempo, o objetivo do movimento apartidário e ecumênico, que reúne entidades empresariais, ambientais, de defesa da ética e do voto consciente, é combater o descrédito na ação concreta da política e criar alternativas de ação.
"Há uma enorme descrença, arraigada na sociedade, na ação dos políticos e nas políticas públicas. Nós queremos juntar todo esse pessoal, com a participação de representantes dos partidos, e discutir o que fazer para enfrentar isso", explicou o presidente do conselho deliberativo do Instituto Ethos, Oded Grajew, um dos organizadores do movimento.
INDICADORES
Segundo ele, serão formuladas questões práticas a partir de indicadores em áreas importantes como educação e cidadania para discussão com os políticos. "Quando as pessoas tendem a ficar muito descrentes na política, cresce o individualismo. Nós queremos ajudar, mostrar que é possível mudar esse panorama triste que vemos no Brasil, a partir da participação cidadã, e isso pode ser feito", explicou Grajew.
Depois da reunião inicial, que será às 14 horas de hoje no Espaço Rosa Rosarum (localizado à Rua Francisco Leitão, 416, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo), os organizadores vão começar a montar um banco de indicadores em várias áreas para fazer com que os políticos pensem em dados concretos. "Poderemos cobrar medidas sobre temas específicos como evasão escolar, repetência e outros ligados à educação, em cima dos dados apresentados", comentou Grajew. Além de representantes dos partidos e políticos, jornalistas também participarão desse encontro, atuando como parceiros na difusão das propostas.
Na opinião do representante do Ethos, a política passará a ser vista de outra forma, com o estímulo ao voto consciente. "Queremos combater o distanciamento dos cidadãos da política, como se essa fosse uma atividade menor, que não interferisse em nosso cotidiano", afirmou.
COLÔMBIA
Segundo ele, a proposta do movimento, denominado Nossa São Paulo: Outra Cidade, nasceu de uma iniciativa semelhante em Bogotá, capital da Colômbia, que mudou para melhor seus indicadores. "A cidade estava como São Paulo, caótica e desacreditada. Doze anos depois, a situação é totalmente diferente, com índices muito superiores", explicou.
Em pouco tempo, sua expectativa é de que os moradores de São Paulo, assim como os da cidade colombiana, passem a acompanhar melhor a vida de sua cidade, fiscalizando o trabalho de seus representantes em todos os níveis de poder. "Nenhum país do mundo avança sem políticas públicas ou preocupação dos cidadãos com a formulação delas", argumentou Grajew.
Nos encontros, os líderes da sociedade civil vão discutir propostas para melhorar a qualidade de vida na cidade, algumas utilizadas em outros municípios e países, enquanto estudam formas de aumentar a participação cidadã. Será apresentada uma pesquisa qualitativa inédita do Ibope sobre os problemas e sonhos dos paulistanos em relação à maior metrópole brasileira.
OESP, 15/05/2007, Nacional, p. A7
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