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Entidades que integram o Fórum da Escola Pública analisam documento

Correio do Povo-Porto Alegre-RS
22 de Mar de 2004

Educadores discutiram metas da política educacional

O Plano Estadual de Educação (PEE), que deverá entrar na pauta de votação da Assembléia Legislativa no dia 29, não estabelece metas para uma política educacional de longo prazo e se limita à visão de governo sobre Educação. Esta é a principal constatação das entidades que participaram do Fórum Gaúcho em Defesa da Escola Pública, realizado sexta-feira e sábado no auditório do GBOEx, na Capital.

Constituído por Cpers, Adufrgs, Atempa, Andes, Contee e CNTE, o debate resultou em documento que será apresentado nesta semana ao secretário estadual de Educação, José Fortunati. A análise aponta uma série de questões consideradas em aberto no projeto do governo. 'O PEE não apresenta metas, o que torna muito difícil avaliar os resultados', destacou Juçara Dutra Vieira, presidente do Cpers/Sindicato.

A participação efetiva das entidades ligadas à Educação e de amplos setores da sociedade civil, no entendimento dos educadores, não teria sido contemplada na elaboração do PEE. 'Em primeiro lugar, queremos que o governo não coloque limitação de prazo para votação do projeto, que deve ser coordenado pelo Fórum Estadual de Educação, instrumento que já deveria estar atuando concretamente, com representação da sociedade civil. O PEE tem visão limitada do Executivo, não enxerga a sociedade e deixa de estabelecer política transformadora da Educação para os próximos 10 anos', aponta Juçara.

A omissão do papel da Uergs no PEE é outro problema assinalado. Além de perceber que o assunto fica em segundo plano, Juçara avalia que permite a leitura de uma estratégia de privatização do Ensino Superior. No que se refere às minorias sociais, o PEE também gerou indignação nos educadores. 'Faz uma afronta aos negros, pois coloca a meta de, até 2010, ter um negro na coordenação de secretaria das escolas e de, até 2020, resgatar alunos negros excluídos do sistema escolar. Não só desconsidera os negros como ignora os que já estão trabalhando em Educação, que são muito mais que um por escola. Além disso, tem visão preconceituosa das minorias. Afirma que os jesuítas tiraram os índios do estado selvagem em que viviam.' Conforme as entidades, os dados enfatizam a comparação entre ações dos últimos três governos, dando conotação política ao documento a ser votado pela AL

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