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25 de Abr de 2012
Lideranças indígenas de Roraima e Amazonas começaram a discutir, a partir de hoje, no Lago Caracaranã, no Município de Normandia, propostas para as comunidades enfrentarem as mudanças climáticas. Trata-se I Encontro Regional para a Construção de Bases para um Plano Indígena de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, realizada pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam). O evento encerra-se na sexta-feira, 27.
A partir das experiências empíricas dos indígenas, será feita uma avaliação para que se construa um plano de enfrentamento. Eles serão chamados a refletir sobre quais os impactos das mudanças climáticas percebidos em suas comunidades e região, além de relatarem como as populações estão se adaptando às mudanças climáticas.
Depois dessa reflexão, serão incentivados a identificar o que provoca esses impactos e a identificar esses reflexos, como doenças, queda na qualidade da água, mudanças nos regime das águas, alterações no calendários de caça, coleta e colheita da produção de subsistência. Serão 30 lideranças indígenas de Roraima e 15 do Amazonas envolvidos nesse trabalho de avaliação e reflexão.
De Roraima estarão no evento representantes das 12 etnorregiões: Serra, Raposa, Surumu, Baixo Cotingo, Serra da Lua, Murupu, Taiano, Amajari, São Marcos, Ingaricó e Yanomami. O coordenador-geral do CIR, Mário Nicácio Wapichana, disse que os povos indígenas de Roraima já vinham discutindo o tema "mudanças climáticas" desde o início da década de 2000, inclusive o CIR realizou o Estudo de Mudanças Climáticas na Terra Indígena Jacamim e Serra da Lua, em Bonfim, que serviu de projeto piloto.
"Os povos indígenas são os atores que mais preservam a floresta e o meio ambiente", disse Nicácio ao explicar que agora chegou o momento de usar os conhecimentos tradicionais para construir bases e planos para enfrentar as mudanças climáticas que afetam todo o planeta.
Este encontro no Lago Caracaranã servirá de preparatório para as discussões que o CIR vem sabendo sobre o Acampamento Terra Livre, evento paralelo à Rio+20, que contará com a participação de 2 mil lideranças indígenas no Rio de Janeiro, em Junho. Em Roraima devem ir cerca de 30 participantes.
As discussões já vêm ocorrendo desde o início do ano e a culminância dos debates ocorrerá neste fim de semana (dias 28 e 29) na Casa de Cura em Boa Vista, na sede do CIR, no trecho sul da BR-174, no bairro Araceli Souto Maior. Será o momento de definir o que os índios de Roraima vão levar de proposta para o Acampamento Terra Livre.
A Rio+20 ocorrerá de 20 a 22 de junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS, ou UNCSD na sigla em inglês). Essa iniciativa da ONU está também motivando a organização de uma série de eventos e processos de discussão no Brasil e em todo o mundo, que culminarão em um grande conjunto de atividades no período próximo à conferência.
Será um evento de grandes dimensões, e o governo brasileiro tem declarado a ambição de que seja a maior conferência já realizada pela ONU. A organização do evento espera a presença de mais de uma centena de chefes de Estado ou de governo. E os povos indígenas junto com movimentos sociais e sem-terra vão promover um evento paralelo, que é o Acampamento Terra Livre.
Veja a Agenda para o I Encontro Regional para a construção de Bases para um Plano Indígena de Enfrentamento às Mudanças Climáticas:
DIA 1 - 25/04
8:30 - Abertura
Apresentação da proposta: Bases para um Plano Indígena de Enfrentamento às Mudanças Climáticas
Apresentação dos participantes
CIR, COIAB, IPAM
9:30 - Apresentação da agenda e da metodologia (diálogo e perguntas orientadoras)
IPAM
9:45 - Introdução às Mudanças Climáticas e perguntas
IPAM
10:30 - Lanche
10:45 - Trabalho em grupo : Quais os impactos das mudanças climáticas (ambientais e sociais) percebidos em sua comunidade/região?
Como sua comunidade/região está se adaptando às mudanças climáticas?
Grupos (divisão por estados. 2 grupos para cada estado)
12:00 - Almoço
13:30 - Apresentação dos trabalhos em grupo realizados pela manhã
Grupos
15:00 - Discussão na plenária: "O que vocês acham que provoca esses impactos?"
Identificar causas dos impactos (desconstrução dos impactos percebidos)
Metodologia: mapa mental sobre as causas, separando-as em categorias gerais (ex. doenças, queda na qualidade da água, mudanças nos regime das águas, calendários de caça, coleta e colheita)
Participantes (moderação do IPAM)
15.45 - Lanche
16:00 - Discussão na plenária: "Quais foram a causas comuns identificadas?"
Listagem preparatória para a eleição das causas mais relevantes
Participantes (moderação do IPAM)
16.30 - Classificação das causas identificadas em relação aos eixos de vulnerabilidade (climático, político, antrópico e econômico).
IPAM
17:00 - Fechamento do dia
17:30 - Exibição de vídeo sobre mudanças climáticas na Amazônia
DIA 2 - 26/04
8:30 - Apresentação do eixo climático - projeções da ciência não indígena
IPAM
9:00 - Dúvidas e discussão em grupo
Participantes
9:30 - Apresentação do eixo antrópico: grandes obras (PAC - obras de infraestrutura) IPAM - apresentação técnica
10:00 - Visão indígena sobre o tema
Dúvidas e discussão
COIAB - visão dos povos indígenas
10:30 - Lanche
10:45 - Apresentação do eixo político: contexto político e legislação indigenista e ambiental (PEC 215, Código Florestal, Convenção 169 da OIT)
IPAM - apresentação técnica
11:15 - Visão indígena sobre o tema
Dúvidas e discussão
COIAB - visão dos povos indígenas
12:00 - Almoço
13:30 - Apresentação do eixo econômico e REDD+ (potenciais e riscos / introdução ao mecanismo)
IPAM
14.00 - Visão indígena sobre o tema
Dúvidas e discussão
COIAB - visão dos povos indígenas
14.30 - Mapeamento de Projetos de REDD+ na Amazônia Brasileira
FUNAI/CGMT
15:00 - Dúvidas e discussão
Participantes
16:00 - Lanche
16:15 - Apresentação sobre o Observatório do REDD
Nivelamento para uso da ferramenta
GTA
17:30 - Fechamento do dia
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