OESP, Economia, p. B3
06 de Fev de 2011
Energia eólica valoriza terras no RN
Investidores compram ou alugam áreas para instalações dos parques; valorização deve crescer, pois em maio ocorrerá leilão de energia
Anna Ruth Dantas
A valorização das áreas produtivas no Rio Grande do Norte, surge, principalmente, com a instalação dos parques de energia eólica. A avaliação é do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Benito Gama. "Temos um investimento previsto de R$ 8 milhões em energia eólica. São 79 parques com energia já medida e confirmada para capacidade de produção. Essas áreas de implantação dos parques estão se valorizando. Os investidores compram ou alugam os terrenos", disse.
Gama destacou que a tendência é de uma valorização ainda maior, já que em maio ocorrerá um leilão de energia eólica.
Se na energia eólica a tendência é de valorização maior, na carcinicultura (criação de camarões) a expectativa de aumento das vendas dos terrenos é frustrada pela dificuldade que os empresários têm de conseguir licenciamentos e financiamentos para produção. Embora o setor esteja voltando a crescer, o aumento das vendas não se reflete na valorização dos terrenos.
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão, Itamar Rocha, explicou que essa manutenção dos preços das áreas se deve as dificuldades encontradas pelos produtores para conseguir financiamentos bancários e licenciamento ambiental. "Veja que no ano de 2010 não saiu nenhum financiamento para produtores do Rio Grande do Norte", destacou. Rocha observou ainda que as licenças ambientais emperram muito a chegada de novos negócios.
Enchentes. Além das dificuldades de legalização do negócio e liberação de recursos para atividade, os carcinicultores também enfrentam o problema das enchentes. Na época de chuvas mais intensas, as fazendas de camarão sofrem alagamentos.
A expectativa do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão é que o setor retome o mercado conquistado antes da crise. Em 2010, no Rio Grande do Norte, um dos principais estados produtores, foram 20 mil toneladas de camarão. No entanto, apenas 1,6 mil toneladas foram para o mercado exportador. "Chegamos a exportar 20 mil toneladas, mas ano passado foram apenas 1,6 mil. Ainda bem que o mercado interno se aqueceu para absorver a produção que caiu devido ao câmbio (valorização do real perante o dólar)", disse Rocha.
Em apenas dois anos, produtor vê dobrar preço da terra em SP
Valorização, porém, praticamente paralisou os negócios de compra e venda de imóveis rurais no sudoeste do Estado
José Maria Tomazela
Acostumado a investir parte da renda na aquisição de terras para ampliar o cultivo, o grupo agrícola de Rodrigo Furtado, de Itapetininga, no sudoeste paulista, está há quase dois anos sem fazer negócio. Quando a última compra, uma fazenda de mais de 500 hectares, foi efetivada, o preço da terra agrícola na região girava em torno de R$ 30 mil o hectare. "Agora, quando há terra em oferta, chegam a pedir até R$ 60 mil", disse Furtado.
Ele atribui a valorização de até 100% em dois anos ao bom momento vivido pelo agronegócio, com as principais commodities em alta. O grupo é produtor de batata, soja, milho, feijão e trigo.
De acordo com o empresário rural, apesar de existir oferta, os negócios não se concretizam. "As pessoas até colocam preço na terra, mas a impressão é de que não querem vender." Segundo ele, o mercado está comprador, mas o alto preço emperra os negócios. "Muita gente passou a ver na venda de terra uma oportunidade de ganhar dinheiro."
O engenheiro agrônomo Rodolfo Cyrineu, dono de uma empresa de consultoria rural em Itapetininga, conta que muitos proprietários preferem arrendar as terras em vez de vender. Ele conta que barrou alguns negócios porque a fazenda pretendida não atendia ao projeto do comprador.
Faltam terras. Produtores ligados à Cooperativa Hollambra, em Paranapanema, têm dificuldade para ampliar a produção de soja, milho e algodão por falta de terra.
Com a boa renda das lavouras, os proprietários do entorno não se deixam seduzir pelas boas ofertas. No ano passado, um produtor do bairro Caputera, em Itapeva, depois de perder dinheiro com o feijão, vendeu uma área de 55 hectares. Logo depois fez uma boa colheita de soja e se arrependeu do negócio. O adquirente, um holandês, recorreu à Justiça.
DUAS RAZÕES PARA...
A alta de preços de terras no País
1. Elevação das cotações dos produtos agropecuários. Em um ano, a soja subiu 36% no mercado internacional, o milho 60%, o algodão 100%, o açúcar 16%. No mercado interno, o preço da laranja dobrou e o café arábica subiu 40%.
2. Maior procura por terras para outras finalidades, como exploração mineral, parques de energia eólica, fazendas de camarão, por exemplo.
Vendida, fazenda vira condomínio
Em Sorocaba, proprietário não resiste a assédio e vende 134 hectares adquiridos há 60 anos
José Maria Tomazela
Depois de seis anos gerenciando a Fazenda Silvana, em Sorocaba, o administrador Jailton Aparecido Pedroso, de 44 anos, prepara a mudança. Ele, a mulher Eidi e o casal de filhos têm algumas semanas para deixar a casa da administração, a única construção que restou em pé na propriedade que já foi uma das mais produtivas da região.
O produtor rural Caetano Rodolfo Cutolo, de São Paulo, não resistiu ao assédio de uma incorporadora e vendeu os últimos 134 hectares do imóvel adquirido há 60 anos. As terras agrícolas serão divididas em lotes e a fazenda vai virar um condomínio.
Cutolo está em tratamento médico e quem falou com a reportagem foi seu genro, o arquiteto Alfredo Bazzaci. Ele contou que o sogro, que é médico aposentado, tinha plano de viver a aposentadoria na propriedade de Sorocaba. " Ali, ele criava um gado muito bom e tinha alta produtividade de milho. Mas a cidade cresceu muito e tudo passou a ser área urbana."
A propriedade ficou sitiada por bairros, indústrias e condomínios residenciais. Com a valorização das terras, o custo de produção também aumentou. "A prefeitura quer cobrar IPTU" .
Nos últimos anos, uma sequência de safras de milho com preços baixos levou o produtor a jogar a toalha. O valor do negócio não foi revelado, mas as terras na região, segundo corretores, valem em torno de R$ 100 mil o hectare.
Segundo Pedroso, o dono reservou para si uma área de seis hectares, para ter uma chácara de recreio. É ali que Pedroso deve permanecer como caseiro, mas ele não sabe se vai se adaptar. "Gosto do campo, das lavouras, do cheiro de gado."
OESP, 06/02/2011, Economia, p. B3
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