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Encontro com ministros, ONGs e índios em Sinop fortalece mobilização para conclusão do asfaltamento da BR-163

O Diário, Gerais
21 de Nov de 2003

Encontro com ministros, ONGs e índios em Sinop fortalece mobilização para conclusão do asfaltamento da BR-163
 
Encerrado ontem o encontro BR-163 Sustentável, promovido por ONGs para buscar soluções para diversos problemas decorrentes do asfaltamento da BR-163, a partir do Nortão de Mato Grosso (área da divisa) até o Porto de Santarém. Com a presença dos ministros da Integração Nacional, Ciro Gomes e do Meio Ambiente, Marina Silva e do governador Blairo Maggi, as ONGs, índios e pequenos produtores apresentaram suas reivindicações. Em síntese, temem que o progresso - que virá em decorrência do asfaltamento da rodovia (surgimento de novas cidades, por exemplo) resultem em degradação ambiental, invasão em áreas indígenas, confrontos com índios e que pequenos produtores sejam prejudicados pelos interesses dos grandes agricultores.
Os ministros acompanharam atentamente a pauta de reivindicações elaborada por cada segmento, durante os três dias de discussões, na Unemat em Sinop. Conforme Só Notícias já informou, ONGs e índios cobraram, basicamente, reflorestamento e conservação de matas ciliares, formação de corredores ecológicos ao longo do eixo da BR 163, faixa de proteção de 10 km, das áreas indígenas, incentivos ao manejo florestal. Os índios cobraram que nas novas fazendas que vão ser formadas em território paraense, sejam proibidas barragens para as estradas não interromper os rios ( que sejam feitas pontes) proibição de pousadas de pesca até 10 km de áreas indígenas, proibição de dragas para retirada de areia e, principalmente, cumprimento das leis.
As ONGS deixaram claro que são favoráveis ao asfaltamento da rodovia como modelo de desenvolvimento econômico, porém não abrem mo da conservação dos recursos naturais. O asfaltamento de 700 km da rodovia deve começar em 2005 e viabilizar o escoamento da safra agrícola e outros produtos e do Norte e Médio-Norte de Mato Grosso, via porto de Santarém (PA) com maior economia e rapidez.
Será feito pelas trades da soja, pólo de Manaus, Petrobrás e Associação de Produtores, além dos governos de Mato Grosso e Pará
O ministro Ciro Gomes disse, em seu discurso, que praticamente todo o governo Lula está mobilizado em fazer um projeto cuidadoso e criterioso do asfaltamento da rodovia para evitar os erros do passado. "Vou acelerar o processo de discussão. Há interesses de diversos ângulos quanto a o asfaltamento da BR-163 e vamos fazer um projeto de zoneamento urbano e ambiental que seja modelo", destacou. O ministro disse ter ficado emocionado com o relato feito pelos índios, durante o encontro. "Passei vergonha e constrangimento ao ouvir aqui os depoimentos dos índios (que alegaram ter sido expulsos de suas áreas no Nortão a partir do asfaltamento da BR-163, na década de 80 e alguns terem sido assassinados). Se nós não tivemos culpa pelo ocorreu no passado, temos obrigação de fazer algo para corrigir muitos erros com os índios", afirmou.
A ministra Marina da Silva afirmou que o encontro organizado pelas ONGs em Sinop foi fundamental para mostrar muitos erros cometidos no passado. "E ainda muitos não foram reparados e continuam sendo cometidos em diversos lugares do Brasil". Marina disse que o governo federal tem se preocupado muito com o asfaltamento da BR-163 em território paraense. "Estamos com 11 ministérios mobilizados para que essa obra, ao invés de ser um rastro de destruição, sejam um modelo de ocupação", discursou. A ministra também propôs a criação de um consórcio (nos mesmos moldes do. que foi criado para asfaltar a rodovia - reunindo multinacionais e governo) para a preservação e conservação do meio ambiente.
O governador Blairo Maggi destacou o fortalecimento da economia dos dois Estados com o asfaltamento da 163 até o porto de Santarém. Mas enfatizou que todas as leis ambientais devem ser respeitadas para evitar degradações. "Precisamos fazer concessões. Em nenhum momento defendemos a ampliação da agricultura desrespeitando o meio ambiente", afirmou. Ele afirmou que esse encontro em Sinop foi o primeiro á reunir diversos segmentos para debater todos os aspectos dessa importante obra. Blairo também alfinetou algumas ONGs dizendo que "muitas se propõe para fazer muitas coisas e não fazem".
 
O Diário, 21/11/2003, Gerais

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