O Globo, Rio, p.16
13 de Ago de 2004
Empresas negam que prospecção afete baleias
Natanael Damasceno
As empresas que fazem prospecção sísmica para a indústria de petróleo negaram ontem veementemente que a atividade esteja contribuindo para desorientar baleias. Representante das cinco empresas que fazem esse tipo de trabalho na costa brasileira, o geofísico Cosme Peruzzolo afirmou que não existe um estudo conclusivo que relacione a atividade com o comportamento dos mamíferos aquáticos que chegam ao Brasil para a atividade reprodutiva, contrariando o que especialistas afirmaram ao longo da semana.
O rastreamento sísmico de petróleo no mar, feito com um canhão que emite um ruído de 180 decibéis, é perceptível aos cetáceos num raio de 10km. No entanto, diz Peruzzolo, a única área onde hoje estão sendo feitos os testes de prospecção de petróleo fica a mais de 250km da praia do Forte de Imbuí, em Niterói, onde domingo passado uma baleia jubarte encalhou, morrendo dois dias depois.
Dos oito incidentes com baleias que encalharam no litoral brasileiro em 2002, apenas dois aconteceram no período de testes sísmicos afirmou Peruzzolo.
Ontem, enquanto uma equipe de biólogos do Ibama embarcava num navio da Companhia General Geophisic para acompanhar a atividade de prospecção, o biólogo Salvatore Siciliano, especialista em animais marinhos da Fiocruz, defendia um estudo mais profundo do problema.
Esse tipo de verificação não é eficaz. Sabemos que todas as companhias mantêm biólogos para fazer um acompanhamento de baleias, mas esse tipo de estudo deveria ser mais amplo.
Opinião: Caso a estudar
O EVIDENTE despreparo para se resgatar a baleia encalhada na praia do Forte do Imbuí, em Niterói, requer uma reflexão e algumas ações.
O DIAGNÓSTICO é indiscutível: afinal, mesmo numa cidade onde há serviços de salvamento no mar e equipamentos pesados flutuantes à disposição, não foi possível salvar o animal. Como sempre, há muita solidariedade e força de vontade e pouca técnica e conhecimento.
O PRÓXIMO passo deve ser reunir os responsáveis da área, de todo o país, incluindo a Petrobras, de presença importante no litoral brasileiro, para se aprender com o fracasso e estabelecer procedimentos padrão para essas situações.
NÃO VALE o argumento de que baleias são raras na arrebentação. Nem são tão raras assim, como mostra o aparecimento de outro animal, em Búzios. O argumento não é válido também porque os serviços de salvamento existem para agir em quaisquer circunstâncias. Até nas mais surpreendentes como são as emergências.
O Globo, 13/08/2004, p. 16
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