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Empresas nao dao informacoes transparentes, aponta estudo

OESP, Geral, p.A13
22 de Set de 2004

Falta transparência às informações dadas por empresas, aponta estudo
Pesquisa feita em documentos de sete delas mostra que ignoram passivo ambiental
Karine Rodrigues
RIO - Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com sete empresas do setor de siderurgia, petróleo e celulose concluiu que falta transparência às informações ambientais por elas fornecidas. O estudo, apresentado ontem, diz que, pelos documentos contábeis analisados, elas não reconhecem a existência de seus passivos ambientais.
"Não encontramos nenhuma rubrica relativa a isso. Isso significa que, para a contabilidade, como também para qualquer distribuição de lucro, a empresa não polui, mas sabemos que elas participam intensamente do processo produtivo e poluem o meio ambiente. Se especialistas não conseguiram detectar as informações, é porque elas não existem ou estão colocadas de uma maneira que não é nada transparente", disse ontem a coordenadora do estudo, Aracéli Cristina Ferreira, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFRJ.
Segundo a pesquisadora, também não foi possível identificar se os investimentos em meio ambiente citados nos relatórios de gestão ambiental se tratavam de compensações, recuperações ou prevenções. "Quando buscamos a relação entre produção, investimento e poluição, encontramos dúvidas. As informações dadas pelas empresas não permitem que saibamos onde, de fato, os gastos ocorreram."
O estudo analisou demonstrações contábeis (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício), relatórios de gestão ambiental, balanços sociais, informações dos sites da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e das empresas Petrobrás, Aracruz Celulose, Usiminas, Gerdau, Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST).
Na análise dos dados sobre investimentos, a pesquisa aponta que, embora em termos absolutos os valores investidos divulgados sejam de grande volume, eles são "insignificantes" quando comparados ao faturamento das empresas. A relação entre a receita líquida e os investimentos em meio ambiente não chegou a 1% em 2003 no caso da Cosipa (0,26%), CSN (0,19%), CST (0,78%), Gerdau (0,38%) e Usiminas (0,34%).
Aracéli destaca ainda que nenhuma das empresas atende ao modelo de relatório ambiental proposto pelo Isar/Unctad, órgão das Nações Unidas que estabelece padrões internacionais de contabilidade.
Justificativas - Segundo Luis César Stano, coordenador de Desenvolvimento Sustentável da Área de Segurança em Meio Ambiente e Saúde da Petrobrás, ainda não há "uma legislação caracterizada" sobre as informações contábeis referentes ao meio ambiente. Ele afirmou também que desde 2001 a empresa inclui em seu relatório de responsabilidade social dados relativos à quantidade de resíduos em estoque. "Não damos os dados contábeis, mas informações das quantidades", declarou, acrescentando que o Isar apenas estabelece padrões a serem seguidos.
A Aracruz informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que, por ter recebido o relatório ontem, não houve "tempo suficiente para estudá-lo". Diz também que, "em uma análise superficial, não foram considerados dados da empresa divulgados publicamente e disponíveis na internet, como por exemplo, os investimentos previstos para 2003 na área de meio ambiente, de US$ 8,6 milhões".
A Usiminas afirmou que, há 42 anos, seu "processo produtivo tem sido aprimorado através da utilização de novas tecnologias, que buscam minimizar ou eliminar os impactos ambientais provenientes de suas atividades". Os investimentos totais da Usiminas em equipamentos de controle ambiental, acumulados até 2003, prossegue a nota, foram da ordem de US$ 435, 4 milhões, sendo 66,7% aplicados em controle atmosférico, 30,5% em controle hídrico e 2,8% para controle do solo. E acrescenta que os gastos em meio ambiente referentes a 2002 e 2003 são, respectivamente, R$ 2,7 milhões e R$ 6,8 milhões.

OESP, 22/09/2004, p. A13

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