VOLTAR

Empresas investem em projetos para reduzir riscos ambientais

O Globo, Caderno Especial, p. 5
17 de Set de 2012

Empresas investem em projetos para reduzir riscos ambientais
Petrobras desenvolve aço resistente para pré-sal. BG vai monitorar oceanos

Danielle Nogueira
danielle.nogueira@oglobo.com.br

Diante dos recentes vazamentos de petróleo no Brasil e no exterior, as empresas do setor estão investindo em novas tecnologias e programas de monitoramento para minimizar o impacto ambiental de suas operações. As iniciativas vão desde o desenvolvimento de material mais resistente às condições de pressão e temperatura do pré-sal até a elaboração de bancos de dados da vida marinha.
A Petrobras, por exemplo, está concentrando esforços no desenvolvimento de um tipo de aço que não trinca mesmo a profundidades superiores a cinco mil metros abaixo do solo marinho. O objetivo é substituir o material usado hoje no revestimento de poços do pré-sal, o chamado superflex, por uma versão mais barata. O superflex já é mais resistente que o aço comum, mas seu custo é de cinco a seis vezes superior.
- Estamos tentando alterar a composição do produto siderúrgico para torná-lo ainda mais resistente e mais barato, com o máximo de conteúdo nacional possível - disse Solange Guedes, gerente-executiva de Exploração e Produção da Petrobras, frisando que o novo material vem sendo desenvolvido em parceria com a indústria siderúrgica e está em fase de testes.
A empresa não divulga o investimento no projeto, mas vem ampliando a aplicação de recursos em projetos ambientais. Em 2011, foi US$ 1,625 bilhão, ante US$ 1,377 bilhão em 2010 e US$ 984 milhões em 2009. As cifras abrangem projetos do pré-sal e do pós-sal e incluem programas de redução de emissão de resíduos, tecnologias ambientais, capacidade de reação a situações de emergência, entre outros.
Robôs-Mergulhadores na Bacia de Santos
Parceira da Petrobras em quatro blocos na Bacia de Santos, a nova fronteira petrolífera no país, a britânica BG está dando especial atenção ao monitoramento de indicadores da vida marinha que lhe permitam ter uma resposta mais rápida a um eventual acidente, evitando episódios como o derramamento de óleo na Baía de Guanabara pela Petrobras em 2000.
Em parceria com a Coppe/UFRJ, a BG desenvolve um programa de observação de oceanos, baseado na coleta de informações por sensores lançados ao mar e por robôs-mergulhadores capazes de alcançar profundidades de até dois mil metros abaixo da superfície do mar. Também serão coletados dados a partir de imagens de satélites que vão monitorar a Bacia de Santos, onde estão as grandes apostas do pré-sal.
- As informações que serão coletadas vão desde a intensidade e direção das correntes marítimas até a presença de plâncton (micro-organismos essenciais no ecossistema marinho). Assim, poderemos entender melhor a dinâmica do oceano - explicou Luiz Landau, professor de engenharia civil da Coppe, que está à frente do programa.
A BG está investindo R$ 20 milhões nesta iniciativa, inédita no Brasil e batizada de Projeto Azul. De acordo com Flávia Adissi, da BG Brasil, as informações ficarão disponíveis à academia em um banco de dados.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que reúne empresas do setor no país, também está empenhado em reforçar os projetos de segurança ambiental. Uma das ações em curso é a negociação para a importação de um equipamento que funciona como um funil invertido. Ele é acoplado à cabeça do poço submerso que está vazando e é capaz de recolher o óleo que está chegando à superfície. A ideia, segundo o gerente de Meio Ambiente do IBP, Carlos Henrique Mendes, é que um exemplar deste equipamento - usado no acidente da BP no Golfo do México em 2010 - fique à disposição das empresas no Brasil.

Petrobras aumenta em 15% gastos com segurança e saúde
Normas estão sendo atualizadas para tornar o trabalho mais
seguro nas plataformas

Em 2010 e 2011, plataformas de petróleo pararam na Bacia de Campos. Motivo: a segurança dos trabalhadores estava em risco. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez sua primeira interdição de uma unidade no mar desde que foi criada em 1998. As paralisações reduziram a produção de petróleo e o lucro da Petrobras. Segundo a estatal, no ano passado, o investimento em segurança, meio ambiente e saúde, incluindo a operação, cresceu 15,6%. Foram R$ 5,255 bilhões, contra R$ 4,546 bilhões. Em 2010, a alta fora de 4%.
Em julho último, a Petrobras destinou R$ 5,6 bilhões para recuperar 31 plataformas mais antigas na Bacia de Campos, que produzem há cerca de 30 anos. Hoje, as plataformas respondem pela produção de 450 mil barris diários de petróleo, cerca de 25% da produção total do país, que varia entre 1,8 milhão e dois milhões de barris por dia.
Emprego no setor dobra para 400 mil vagas
E o investimento deve crescer. Além das reformas, as exigências de segurança nas plataformas de petróleo terão que aumentar no ano que vem. Está pronta para entrar em consulta pública proposta de norma que estabelece especificamente as condições de trabalho nas plataformas. Atualmente, esse controle legal está previsto num anexo de outra norma, a do trabalho marítimo, também recentemente editada.
- Há um esforço da indústria do petróleo de melhorar o conforto do trabalhador de plataformas. Ainda estamos nos adaptando às mudanças na última atualização (de 2010) - afirmou Carlos Victal, gerente de Responsabilidade Social do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
A fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) também se tornou mais intensa, diz Victal. Segundo o IBP, o setor empregava 400 mil pessoas em 2010; em 2003, eram 200 mil.
Segundo a Petrobras, os indicadores de segurança, como a Taxa de Acidentados Fatais - número de fatalidades por 100 milhões de homens-horas de exposição ao risco - até junho de 2012 foi de 1,03, contra 1,27 em igual período de 2011. A estatal diz que, em 2011, criou um fórum com sindicatos para melhorar a gestão na área.

O Globo, 17/09/2012, Caderno Especial, p. 5

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.