Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
05 de Jun de 2003
Presidente da Fier, Carlos Coelho: "Seríamos os maiores beneficiados"
Representantes da indústria e do comércio de Roraima acreditam que a entrada da Venezuela no Mercosul fortalecerá a economia local. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier), Carlos Coelho, a vontade da Venezuela em integrar o bloco dos países que fazem parte do Mercosul é excelente para o Brasil e principalmente para Roraima, por causa da proximidade geográfica e o comércio exterior ser basicamente todo voltado para aquele país.
"Nós de Roraima seríamos os maiores beneficiados, porque hoje temos algumas barreiras que considero fatores dificultadores ao comércio exterior, como as alfandegárias e sanitárias. Se a Venezuela integrar o Mercosul, até o trânsito de pessoas ficará mais fácil, porque não será mais exigido passaporte", disse.
Citou como barreiras inclusive o trânsito de idéias. Coelho não soube mensurar as melhorias que Roraima teria, considerando a crise enfrentada pelo país vizinho. "É uma crise política com reflexo na economia, que hoje está fragilizada por causa da desvalorização da moeda", disse.
Com a entrada da Venezuela, o bloco Mercosul contará com cinco países: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, além de Venezuela. O vice-presidente da Câmara Brasil/Venezuela e presidente da Câmara Brasil/Guyana, Laerte Ostraicher, considera a entrada da Venezuela no Mercosul, como espetacular tanto para o Brasil quanto para a Roraima. "Há muitos anos vimos pleiteando que a Venezuela entre no Mercosul. Essa é uma das melhores notícias dos últimos tempos", disse.
Ao explicar a situação local da exportação de madeira, Ostraicher afirmou que hoje a realidade é caótica no Distrito Industrial. Um dos principais fatores é a crise que passa o país vizinho, por causa do fechamento do Banco Central daquele país, há quatro meses.
"Com isso o governo central da Venezuela não fornece dólar para os importadores pagarem seus compromissos fora do país. Somos obrigados a vender em dólar através dos bancos oficiais. Não temos condições de receber esse dinheiro oficialmente. Os importadores nos pagam em bolívar, que entra na conta de um amigo nosso qualquer da Venezuela, e ele nos repassa esse dinheiro com ágio", esclareceu.
Segundo ele, isso representa uma perda de 25% na troca de câmbio. O ideal, segundo ele, é que mil dólares, que equivale a 1,6 milhão de bolívares, fossem depositados no Banco Central da Venezuela, para que os empresários de Roraima recebessem mil dólares. "Hoje, eles depositam 1,6 milhão bolívares numa conta e recebemos 750 dólares. Esse é o grande problema e está acabando conosco", complementou Ostraicher.
A empresa dele que antes tinha 60 empregados, hoje tem apenas 27. "Acho que diminuirá ainda mais", afirmou, ao acrescentar que o mercado novo para o Japão, paga a mercadoria só após 90 dias, quando ela chegar ao destino.
O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de Roraima), Aírton Dias, acredita que a iniciativa da Venezuela em compor o Mercosul é importante para Roraima por causa do volume de negócios que já existe com o país vizinho.
"O mais importante é que a Venezuela precisa se adequar à realidade internacional, porque a política externa causa um desconforto a outros países", observou, ao dizer que hoje a aproximação de Roraima com o país vizinho, não é só mercantilista e política, mas cultural.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.