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Empresariado, ambientalistas e cientistas iniciam dialogo sobre Amazônia

Amazônia.org.br
20 de Out de 2006

Empresariado, ambientalistas e cientistas iniciam dialogo sobre Amazônia

Entidades ambientalistas, cientistas e representantes do empresariado se reuniram ontem em São Paulo para iniciar um diálogo sobre alternativas ao desmatamento na Amazônia brasileira. O evento foi promovido em conjunto pelo Instituto Socioambiental (ISA), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Instituto Ethos e contou com uma apresentação do Secretário de Biodiversidade e Florestas João Paulo Capobianco no período da manhã. O secretário afirmou que o governo pretende divulgar as taxas de desmatamento referentes ao período de agosto de 2005 a agosto de 2006 na semana que vem.
O encontro, primeiro de uma série, teve como objetivo dar início a um processo de discussão entre os três setores da sociedade que na maior parte das vezes apresentam visões e posicionamentos diferenciados. "Precisamos compreender os problemas que os outros setores têm. Esta agenda de debates vai permitir o entendimento, trazer a tona pontos comuns que alcançarão um aprofundamento posterior, afirma Adriana Ramos, do ISA.
Ennio Candotti, presidente da SBPC, conta que desde sua fundação a Sociedade se preocupa com os rumos da Amazônia: "esta iniciativa é uma parceria pontual para promover esta discussão. Trata-se de uma tentativa de aproximar os diversos interesses e preocupações diferentes. Um grupo de pressão articulado entre ONGs, empresários e cientistas é de extrema importância e isso ainda não vinha acontecendo".
Na opinião de André Lima, do ISA, é preciso que haja uma agenda mínima bem-sucedida para gerar um documento comum entre os três segmentos com o qual seja possível bater nas portas dos ministérios - e numa perspectiva de curto prazo. "Este é o timing perfeito para a elaboração de um documento. É o momento propício, por ocasião de um novo governo se iniciando, seja ele qual for, complementou Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM).
Homero Pereira, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso e recém-eleito deputado federal, também enalteceu a importância de se realizar a reunião "Obviamente que e uma primeira tentativa, mas a gente tem que tentar avançar nesta discussão e buscarmos o entendimento".
Pereira declarou ser favorável à redução da reserva legal nas propriedades particulares no estado do Mato Grosso. Segundo a lei, no bioma amazônico, 80% da área das propriedades particulares deve ser mantida preservada. "Sou favorável à redução e esta é uma medida defensável e vou defendê-la tecnicamente, através de zoneamento.
Homero também afirmou ser favorável à "retirada" do Mato Grosso do grupo de estados que compõem a Amazônia Legal. Para Adriana Ramos, fazer esta separação política não tiraria o estado do bioma amazônico. "Seria uma solução pragmática que não resolve o problema. Se um estado fez uma opção econômica, é preciso fazer com que esta opção minimize seus impactos negativos".
Próximo encontro
Para as próximas reuniões, os organizadores pretendem ampliar o leque de instituições convidadas dos segmentos, empresarial, acadêmico e ambientalista. "Pretendemos chamar outras ONGs, outros movimentos sociais e outros setores do empresariado que não estiveram aqui hoje", concluiu Ramos.
Estiveram presentes Embrapa, Bunge, Nokia, Grupo Orsa, Instituto Centro de Vida, MMA, Aprosoja, Famato, Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Greenpeace, IPAM e Conselho Nacional dos Seringueiros.
Eliane Scardovelli e Maurício Araújo

Amazônia.org.br, 20/10/2006

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