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Empresa que opera aterro de Gramacho é multada em R$ 10 milhões

O Globo, Rio, p. 7
18 de Fev de 2015

Empresa que opera aterro de Gramacho é multada em R$ 10 milhões
Prefeitura de Caxias diz que local despeja chorume em rio que desemboca na Baía

Mesmo fechado desde junho de 2012, o aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, continua representando um dos maiores passivos ambientais do Rio. A prefeitura de Caxias multou em R$ 10,8 milhões a concessionária Gás Verde S/A, responsável pela operação do depósito, por despejo de chorume - líquido altamente poluente, resultante da degradação da matéria orgânica - no Rio Sarapuí, que desemboca na Baía de Guanabara.
Durante inspeção, a Secretaria de Meio Ambiente de Caxias detectou índices contaminantes cinco vezes acima do tolerado pelo estado. A concessionária nega o despejo.
De acordo com o secretário Luiz Renato Vergara, que coordenou a fiscalização no aterro, os índices verificados de carga orgânica não biodegradável são absurdos. Ele apontou que existe uma série de falhas no sistema de tratamento de chorume da planta. A prefeitura de Caxias encontrou uma concentração de gases, amônia e metano de 1.954 miligramas por litro na saída da estação de tratamento de chorume, enquanto o limite estabelecido por norma estadual de 2007 é de 250 miligramas por litro.

ESTAÇÃO SEM LICENÇA
Num outro ponto, coletas em poços de monitoramento também apontaram poluentes fora do parâmetro exigido.
- Em abril de 2014, estive com uma equipe do Inea numa inspeção ao aterro. Observamos que havia uma rolha que impedia que milhares de litros de chorume escorressem diretamente para o manguezal da Baía de Guanabara. Um pescador chegou a perguntar se ele poderia puxar uma corda e abrir a rolha para mostrar o risco. Pedimos, evidentemente, que ele não fizesse aquilo. Seria um desastre ambiental ainda maior. A estação de tratamento de chorume está sem licença desde 2012 - contou Vergara.
O próprio Instituto Estadual do Ambiente (Inea) havia sugerido, em abril do ano passado, a autuação da empresa por conta de despejo in natura de chorume em braço morto do Rio Sarapuí, que desemboca na baía. Nove meses se passaram e a penalidade acabou não sendo aplicada. Segundo estimativa do Inea, o aterro de Gramacho produz um milhão de litros de chorume por dia. O volume dá para encher uma piscina olímpica a cada três dias.

DANOS À SAÚDE
O chorume carrega metais pesados, que são absorvidos pelo organismo humano e não são eliminados. Isso pode causar danos a longo prazo à saúde humana, inclusive ao sistema nervoso central.
O secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, disse que não tinha conhecimento da situação no aterro.
- Chorume na baía é grave. A se confirmar, é claro que vamos atuar - afirmou.
Diretor da Gás Verde S/A, Eduardo Levenhagen afirma que técnicos estão avaliando se há alguma irregularidade no sistema, mas descartou a existência de despejo in natura na baía:
- Recebemos uma intimação da prefeitura de Caxias. Passei para o pessoal da área técnica avaliar o que está acontecendo. Se tiver que fazer correções, vamos fazê-las. Mas, não há, de forma nenhuma, chorume in natura na Baía de Guanabara. Controlamos o entorno da baía, com o monitoramento de 14 pontos. O mangue está se recuperando muito bem.

O Globo, 18/02/2015, Rio, p. 7

http://oglobo.globo.com/rio/empresa-que-opera-aterro-de-gramacho-multad…

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