VOLTAR

Empresa não apresentou soluções tecnológicas, diz ICMBio

Porto Gente - www.portogente.com.br
Autor: Vera Gasparetto
02 de jul de 2010

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que deu parecer contrário à instalação de um estaleiro da OSX, do grupo EBX do megainvestidor Eike Batista, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina, esclarece que o parecer se deu em cima de questões estritamente técnicas.

Apoena Figueirôa, integrante do Instituto, diz que, apesar das tecnologias existentes, a empresa não apresentou nada para resolver os problemas apresentados e que não compete ao ICMBio ir atrás dessas tecnologias. "Como órgão público o compromisso não basta, é necessário que as medidas e as soluções tecnológicas para evitar os impactos estejam descritas no EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental)".

Para o técnico do Instituto, o problema maior do empreendimento é a alternativa locacional apresentada, embora inicialmente existissem quatro. "A área localizada no meio de três unidades de conservação federais, criadas por decreto com objetivos específicos, levam o ICMBio a não se pautar por nada subjetivo, mas por análises de técnicos que com propriedade. O empreendedor pode optar por outros locais de Santa Catarina e do Brasil, ao ICMBio não compete pesar questões políticas e econômicas".

Impactos destacados pelo ICMBio

- APA Anhatomirim será a área mais impactada e perderá a razão de existir. Prevê no manejo compatibilizar o uso do recurso natural com o desenvolvimento sustentável. O objetivo da sua criação foi proteger os golfinhos, apontados como a espécie mais ameaçada pelo empreendimento.

- Água de lastro e introdução de espécies exóticas - o EIA/Rima não apresenta soluções.

Golfinhos e outros animais teriam seus habitats
abalados com a implantação do estaleiro da OSX

- Golfinhos e Boto Cinza (Sotalia guianensis) - o ICMBio acompanha os 70 golfinhos que vivem em conjunto. Segundo o biólogo Paulo Flores, os impactos serão irreversíveis para esses animais marinhos, levando ao extermínio da última população dessa espécie.

- Pesca artesanal e maricultura - irão inviabilizar o modo de vida das comunidades e a pesca artesanal.

- Turismo - a preocupação com a balneabilidade da Baía Norte, já bastante impactada pela densa ocupação populacional e de fluxo turístico, além da transformação da vocação turística da região em vocação portuária.

- Dragagem do canal para acesso das embarcações - irá disponibilizar metais pesados na cadeia alimentar, afetando a vida de todas as espécies que vivem no local.

http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=30301

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.