O Globo, Ciência, p. 36
22 de Nov de 2011
Emissões de CO2 batem novo recorde
Outros dois poderosos gases-estufa também aumentam concentração
Cláudio Motta
claudio.motta@oglobo.com.br
A concentração de gases-estufa na atmosfera chegou a níveis recordes, superando as previsões mais pessimistas, de acordo com relatório pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Divulgados a uma semana da Conferência do Clima (COP-17), em Durban, na África do Sul, os dados mostram que o gás carbônico (CO2) chegou a 389 partes por milhão, representando acréscimo de 39% na comparação com 1750, antes da Revolução Industrial.
O aumento das concentrações de metano e de óxido nitroso também foi expressivo, respectivamente 158% e 39% em relação ao mesmo período. Chama a atenção o fato de os três serem gases-estufa com metas de redução de emissões previstas pelo Protocolo de Kioto, cujo marco legal termina em 2012. Sua renovação em Durban é incerta.
- Para estabilizar a temperatura, será preciso parar o crescimento das emissões e, depois, reduzí-las em 80% - disse Emilio La Rovere, professor da Coppe/UFRJ e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). - Na prática, a meta de limitar o aquecimento a 2 graus Celsius é impossível. No melhor dos cenários, ficaria entre 2 e 3 graus.
Desastres climáticos extremos, como tempestades e mudança do regime de chuvas (regiões mais secas, outras mais úmidas), ficarão mais frequentes. Com eles, haverá mais perdas econômicas e gastos maiores para preparar as cidades.
- Mesmo se pudéssemos parar hoje nossas emissões, algo que está longe de ser realidade, o efeito estaria presente por décadas na atmosfera - afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
Entre 1990 e 2010, houve um incremento de 29% na força da irradiação (aquecimento atmosférico no clima). O CO2, mais abundante, foi responsável por 80% deste crescimento. Queima de combustíveis fósseis, perda das florestas e uso de fertilizantes são os maiores responsáveis pelos gases-estufa.
Outro alerta foi publicado ontem pela ONU. Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostra que o uso dos hidrofluorcarbonetos (HFC) - que se tornou popular ao substituir os clorofluorcarbonetos (CFC), sendo que este ataca a camada de ozônio da atmosfera - poderá ser responsável, em 2050, por 20% dos gases-estufa. O HFC tem potencial de provocar o efeito estufa 1,6 mil vezes maior do que o CO2.
- Apesar de quase não causar danos à camada de ozônio, são poderosos gases-estufa - ressaltou Achim Steiner, secretário-geral do Pnuma.
O Globo, 22/11/2011, Ciência, p. 36
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