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Embrapa e Contag discutem os rumos da agricultura familiar na Amazônia

Embrapa - http://www.embrapa.br/
Autor: Ana Laura Lima
14 de Jun de 2013

De 17 a 20 de junho, Belém receberá as lideranças da agricultura familiar no Brasil e o diretor executivo de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Waldyr Stumpf, para discutir os rumos da produção familiar rural na Amazônia. O encontro marca o fortalecimento do acordo de cooperação técnica entre Embrapa e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e ratifica a importância da agricultura familiar da região Norte para o agronegócio brasileiro.

Líderes das Federações de Trabalhadores na Agricultura dos Estados do Pará, Amapá, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins, assim como representantes de sindicatos rurais e chefes das Unidades da Embrapa no Norte apresentarão os principais gargalos e as demandas da agricultura familiar na região e as tecnologias disponíveis hoje na pesquisa. O objetivo é solucionar os problemas no campo e estabelecer uma rede de pesquisa, assistência técnica e intercâmbio no âmbito da agricultura familiar e avaliar a inserção desse grupo na cadeia produtiva do dendê na região.

Serão quatro dias de debate em Belém, que contarão também com a presença dos diretores de meio ambiente e política agrícola da Contag, Antoninho Rovaris e David Souza, respectivamente. No dia 20, o grupo faz uma visita de campo ao município de Concórdia do Pará para conhecer a experiência da inserção da agricultura familiar na cadeia do biodiesel.

No local, as lideranças rurais e os diretores irão conhecer o trabalho das famílias inseridas no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o programa preconiza a inserção de agricultores familiares na cadeia produtiva do biodiesel, como forma de impulsionar o cultivo e assim aumentar a produção de culturas oleaginosas, no caso do Pará, o dendê.

Agricultura familiar - No Brasil existem pouco mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais identificados pelo Censo Agropecuário 2006, a primeira estatística oficial que envolve a agricultura familiar no Brasil. Desse total, quatro milhões e 300 mil são considerados estabelecimentos familiares, representando 84,4% do total. O censo identificou pequenas e médias propriedades, assentamentos da reforma agrária e comunidades tradicionais, como extrativistas, quilombolas, ribeirinhos, entre outras.

Os números do IBGE mostram um cenário de contradições, fruto do processo histórico e político de ocupação e distribuição de terras no Brasil. Apesar de ser a maioria dos empreendimentos rurais no País, as áreas de agricultura familiar ocupam pouco mais de 20% das terras rurais do Brasil, contra quase 80% de ocupação por parte das grandes propriedades. Por outro lado, a agricultura familiar emprega 12 milhões de pessoas, o que equivalente a 74,4% dos trabalhadores do campo. O número total de pessoas ocupadas na produção familiar rural no Brasil é duas vezes maior que o número de ocupações geradas pela construção civil.

Economicamente a agricultura familiar é um bom negócio para o Brasil. O valor bruto da produção (VBP) familiar rural, de acordo com o Censo Agropecuário, é de 54 milhões de reais, 40% do VBP total do agronegócio brasileiro. Isso porque a agricultura familiar produz grande parte dos alimentos brasileiros: 87% da mandioca, 70% do feijão, 58% do leite, 46% do milho, 34% do arroz, 21% do trigo e 30% dos bovinos.

Dos quatro milhões de propriedades familiares rurais do Brasil, 10% estão no Norte (412.666 estabelecimentos), que ocupa a quarta posição entre as cinco regiões do país. Por outro lado, na distribuição da área dos estabelecimentos familiares rurais, o Norte aparece em segundo lugar ocupando 21% da área total dos estabelecimentos rurais. Na região, o estado do Pará é o que possui o maior número de estabelecimentos da produção familiar rural: 195.985, seguido de Rondônia com 75.165 estabelecimentos. Os produtos que se destacam na produção familiar da região Norte são a mandioca, milho, leite, pecuária bovina e arroz.

ONU - A Assembleia Geral da ONU declarou 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar. A declaração inédita para o setor é resultado do reconhecimento do papel fundamental que esse sistema agropecuário sustentável desempenha para o alcance da segurança alimentar no planeta.

De acordo com o relatório "Pequenos Agricultores, Segurança Alimentar e Meio Ambiente", divulgado no início deste mês pela Organização das Nações Unidas (ONU), estima-se que existam no mundo cerca de 500 milhões de pequenas fazendas, sendo responsáveis por mais de 80 por cento dos alimentos consumidos em grande parte dos países em desenvolvimento, como o Brasil. O relatório diz que o investimento na agricultura familiar é a saída para a superação da pobreza no mundo. Mas alguns entraves ainda são estruturais, como o acesso a mercados, tecnologias para uso sustentável da terra, insegurança na posse da terra e fraco apoio institucional.

Serviço:
A reunião do convênio Embrapa/Contag será realizada no período de 17 a 20 em Belém (Hilton Hotel) e Concórdia do Pará. O evento é para convidados.

http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2013/junho/3a-semana/embrapa-e-…

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