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Em video na internet, cacique denuncia que posseiros cooptaram xavantes (veja)

Olhar Direto - http://www.olhardireto.com.br/
Autor: Renê Dióz
02 de jul de 2012

O cacique Damião Paridzané, principal nome da luta indígena pelo retorno às terras de Maraiwatsede, denunciou em vídeo publicado na internet que os posseiros da área têm tentado cooptar xavantes e comprado documentos de identificação (Registro Geral) para apresentar como prova de que nem os índios querem permanecer no local demarcado.

O vídeo foi publicado pelo blog maraiwatsede.wordpress.com, cujo conteúdo é supervisionado pelos próprios índios. Embora num português truncado, o cacique Paridzané claramente se pronuncia em resposta às recentes declarações de não-índios questionando sua liderança entre os xavantes.

Documento apresentado pelos fazendeiros da Associação dos Produtores da Gleba de Suiá Missú (Aprosum) contesta a autoridade de Damião como cacique e contém assinaturas e documentos de mais de 400 xavantes manifestando que nunca ocuparam as terras em litígio.

"Esse Luiz Alfredo [Feresin de Abreu, advogado da associação dos posseiros] todo ano procurando que índio não é daqui negociando, comprando foto, comprando RG dos índios. É isso que a gente tamos sabendo. Ele tá procurando, a gente sabemos. A consciência, a cabeça dele tá aprontando, procurando conflito entre índio. Nós não aceitamos nem dinheiro do advogado Luiz Alfredo. Quem manda somos nós, a comunidade de Maraiwatsede", frisa o cacique na gravação de pouco mais de quatro minutos.

Paridzané também dá a entender que sofre perseguição da parte da representação jurídica da Aprosum.

"Tá me sacaneando, pegando outras pessoas de outras aldeias. Eu falei pra ele: 'Você não pode nem correr atrás pra eu sentar com você. Vocês são inimigos. Falei lá em Ribeirão Cascalheira. Esse Luiz Alfredo quer sacanear comigo, sacanear com a comunidade de Maraiwatsede", denuncia o cacique.

Cacique

Esta é a segunda manifestação do cacique a respeito do litígio de Maraiwatsede desde que fazendeiros e xavantes aliados bloquearam a rodovia BR-158 em protesto contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que derrubou liminar responsável pela permanência de não-índios dentro de Maraiwatsede, cuja área foi demarcada em 1998 pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como reserva em cima das terras remanescentes da antiga fazenda Suiá Missú.

A última declaração de Paridzané havia sido por meio de carta aberta escrita à presidenta Dilma Rousseff, cobrando solução definitiva para o conflito agrário. Antes disso, o cacique proferiu discurso emocionado a respeito do caso e ganhou repercussão mundial durante a Cúpula dos Povos, evento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (a Rio+20), realizado no Rio de Janeiro este mês.

A fala do cacique foi simbólica; 20 anos antes ele comparecia à Eco-92, conferência das Nações Unidas também no Rio de Janeiro, para cobrar soluções das autoridades para a mesma situação.

*Veja o vídeo no Blog Marãiwatsédé: http://maraiwatsede.wordpress.com/2012/06/27/a-resposta-do-cacique-dami…

http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Em_video_caci…

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