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Em Valha-me Deus, mutirao por peixes

O Globo, O Pais, p.15
18 de out de 2005

Em Valha-me Deus, mutirão por peixes
Ismael Machado
Os moradores da ilha do Valha-me Deus, em Juruti, no oeste do Pará, não esperaram a ajuda divina e decidiram fazer um mutirão para retirar os peixes ainda vivos dos lagos e igarapés quase secos e levá-los para o Rio Amazonas. Mais de 30 homens e mulheres revezaram-se carregando os peixes em latas com águas, redes ou qualquer outra forma que ajudasse a transportar os peixes e assim garantir a pesca, o principal meio de vida da comunidade. O prefeito de Juruti, Manoel Gomes Costa, decretou estado de emergência no município.
— A situação está quase fora de controle — disse.
Além dos moradores de Valha-me Deus, comunidades como as da ilha Santa Rita e de Miri também estão isoladas. Os moradores tentam plantar feijão no leito seco. O governo do Amazonas teme um surto de diarréia, desidratação e, conseqüentemente, o aumento dos índices de mortalidade infantil. Ontem, chegaram a Manaus nove toneladas de hipoclorito de sódio, que serão distribuídas aos ribeirinhos.
— É um círculo vicioso. Na Em cheia, as crianças adoecem porque a água dos igarapés entra em contato com as fossas. Na seca, a água vira lama, mas é consumida assim mesmo — disse a secretária de saúde de Juruti, Ana Márcia Oliveira.
No Amazonas, a situação melhora aos poucos. A Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias atestou a subida no nível das águas nas cabeceiras dos rios Solimões e Madeira nos últimos dias, o que pode iniciar o fim da estiagem. Mas o volume dos rios só deve voltar ao normal em pelo menos 30 dias.
— Ainda é cedo para comemorar. Podem ser apenas chuvas esporádicas — disse o coordenador do programa emergencial, José Melo.
Partiu ontem de Manaus o primeiro de cinco vôos da Força Aérea Brasileira com cestas básicas para Tabatinga e municípios vizinhos na fronteira com a Colômbia. Hoje, mais dois aviões deverão fazer a viagem duas vezes com novos carregamentos. Ontem, foram transportadas 654 cestas, totalizando 17 toneladas de alimentos.

O Globo, 18/10/2005, p. 15

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